Você quer brincar na neve?

“Os melhores amigos

Não trazem dentro da boca

Palavras fingidas ou falsas histórias

Sabem entender o silêncio

E manter a presença mesmo quando ausentes”[1]

 

Todo mundo sabe que a lealdade e a sinceridade são qualidades essenciais do verdadeiro amigo. Mas, mesmo assim, conflitos podem surgir por conta de problemas de comunicação, que são muito comuns na convivência social. O capítulo VII de O Livro dos Espíritos[2] esclarece que o homem foi feito para viver em sociedade e que é no contato com o outro que evoluímos. Nem sempre é tão fácil compreender o outro ou nos fazermos entendidos. Assim, esse tipo de problema é algo com que devemos lidar, sendo parte inerente à nossa caminhada evolutiva.

 

Normalmente, quando se estuda a comunicação, três elementos principais podem ser identificados: o remetente, o destinatário e a mensagem. Estudiosos da linguística dizem que a comunicação é composta de três atos distintos[3]: a intenção que aquele que comunica quer produzir no destinatário, a produção das palavras que compõem a mensagem em si e, finalmente, o efeito produzido no destinatário.

 

Não é à toa que há tantos problemas de comunicação entre as pessoas, já que nem sempre a intenção do remetente é compreendida pelo destinatário e nem sempre gera o resultado esperado, seja por uma escolha errada do primeiro quanto às palavras, entonação ou mesmo gesticulação, seja por uma pré-disposição errada do segundo. E quando a comunicação não funciona bem, ela é uma geradora em potencial de diversos conflitos.

 

Muitos amigos se desentendem, colegas de trabalho se estranham, familiares brigam, tudo isso por conta de problemas na comunicação. Há diversos motivos para isso, por exemplo:

  • O remetente simplesmente não se expressa bem;
  • O destinatário projeta no que foi falado o que ele mesmo pensa, ao invés de compreender o que o outro falou;
  • O destinatário não compreende bem o que foi dito, mas não procura resolver suas dúvidas, por se sentir acanhado ou pouco à vontade;
  • Os comunicantes, ao invés de dialogarem, ficam um interpretando as atitudes e ações do outro, de modo que se distanciam mais e mais, ao invés de resolverem questões importantes do relacionamento interpessoal.

 

Esses são alguns motivos, certamente existem outros. Mas quem de nós já não se viu em situação semelhante? E encontramos também em filmes e livros, exemplos de problemas que surgem quando as pessoas não se comunicam bem. Um exemplo disso é a história das irmãs Elsa e Anna, do filme Frozen. Elsa vivia um grande problema, causado por seu dom de congelar as coisa, sobre o qual ela não tinha controle. Um dia, quando brincava com a irmã mais nova, Anna, sem querer, fez como que a irmã caísse na neve e quase morresse. Depois disso, Elsa ficou isolada em seu quarto, com medo de machucar Anna novamente. Porém, nunca contou a ela qual era o real motivo do isolamento. Assim, Anna pensou que a irmã não gostava mais dela, o que lhe causava grande sofrimento. Somente muitos anos depois, Anna ficou sabendo a verdade. Mas se o diálogo tivesse ocorrido desde o início, muitos anos de sofrimento poderiam ter sido evitados.

Para nos comunicarmos bem, é preciso entrar em contato com as nossas próprias emoções. Se temos medo de falar o que achamos ou sentimos, precisamos entender o porquê. É melhor procurar superar a questão do que empurrar o problema para debaixo do tapete, porque, como no exemplo de Frozen, o problema acabará vindo à tona, mais cedo ou mais tarde. Então, devemos sempre nos questionar: será que o medo reflete uma insegurança minha? Ou será que é motivado por uma reação anterior da pessoa com quem falo, algo que inibe o diálogo? No primeiro caso, a solução está em respirar fundo, tomar coragem e falar o que queremos. Somente exercitando é que vamos superar a insegurança ou a timidez. Já no segundo, é indicado um diálogo com a pessoa em questão, para expor as dificuldades e procurar um entendimento de como obter uma convivência melhor.

Em capítulo intitulado “Comunicação e Consciência”[4], Dalva Silva Souza nos lembra que as nossas palavras estão diretamente ligadas ao nosso pensamento e refletem nosso conjunto de crença e valores. Ela propõe que estejamos atentos, portanto, àquilo que dizemos, além do que pensamos sem externar, como ferramenta útil ao nosso autoconhecimento. Nas nossas relações sociais, é importante que não sejamos, nós mesmos, agentes de sofrimento para o nosso próximo. Uma agressão pela fala pode ser tão violenta quanto um tapa ou um empurrão.

 

Com tudo isso em mente, terminamos este post, convidando os leitores a uma reflexão sobre estas belas palavras de Emmanuel:

“veículo magnético, a palavra é sempre fator indutivo, na origem de toda realização. Com ela, propagamos as boas obras, acendemos a esperança, fortalecemos a fé, sustentamos a paz, alimentamos o vício ou nutrimos a delinquência. E isso acontece, porque, em verdade, nunca falamos sozinhos, mas sempre retratamos as influências da sombra ou da luz que nos circulam no âmbito mental.”[5]

 

 

 

[1] Trecho da música Amizade Sincera (Fábio Jr.)

[2] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 41a ed. Rio de Janeiro: FEB, 1977.estobre as belas palavras deando os leitores a uma reflexuu nviv coa.iusado por seu dom natural de transformar as coisas em gelo

[3] SEARLE, John. Speech acts: An essay in the philosophy of language, vol. 626. Cambridge: Cambridge University Press, 1969.

[4] SCHUBERT, Suely Caldas. Visão Espírita Para o Terceiro Milênio: Autores Diversos. Votuporanga: Didier, 2001.

[5] XAVIER, Francisco Cândido. Seara dos Médiuns. 4ª edição. Rio de Janeiro: FEB, 1983.



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