Você pediu prá nascer?

Atire a primeira pedra quem, em algum momento da vida, no auge de uma discussão com o pai ou a mãe, já não soltou aquela famosa frase: “Eu não pedi pra nascer!”

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A coisa esquenta mesmo quando os pais, entrando na mesma vibe dos filhos, respondem simplesmente que eles também não pediram para tê-los como filhos.

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Mas será que a parada é mesmo assim? Será que o nosso processo de reencarnação ocorre de modo alheio à nossa participação e vontade?

 

O Espiritismo responde de modo claro a essas perguntas, indicando que, na maioria das vezes, a resposta é simplesmente NÃO!

 

Aliás, na maior parte das vezes nós não apenas pedimos para nascer; nós imploramos! Isso porque quando estamos no mundo espiritual, temos uma visão ampliada da vida e das nossas próprias necessidades. Assim, reconhecemos que não iremos progredir enquanto não quitarmos nossas pendencias com a própria consciência. E é nesse sentido que a reencarnação aparece como algo tão precioso e indispensável.

 

Livro-dos-Espiritos-O--Noleto--1Sobre esse assunto, dá só uma olhada na sequência de perguntas que Kardec fez aos imortais por ocasião da codificação de O Livro dos Espíritos:

 

LE 258 – No estado errante, e antes de começar nova existência corporal, o Espírito tem consciência e previsão das coisas que lhe vão acontecer durante a vida?

“Ele próprio escolhe o gênero de provas que deseja sofrer e nisto consiste o seu livre-arbítrio.”

 

Reparou bem nessa resposta? Os espíritos afirmam categoricamente que, usando nosso livre-arbítrio, escolhemos os principais desafios que iremos enfrentar na nova encarnação. É claro que a escolha da família faz parte desse processo. Então, depois de ler isso, não vai ficar bem continuar falando por aí que você não pediu para ser filho dos seus pais, certo?

Continuando…

 

LE 259 – Se o Espírito pode escolher o gênero de provas que deve sofrer, seguir-se-á que todas as tribulações que experimentamos na vida foram previstas e escolhidas por nós?

“Todas não é bem o termo, porque não escolhestes nem previstes tudo o que vos sucede no mundo, até as menores coisas. Escolhestes apenas o gênero das provações; os detalhes são conseqüências da posição e, muitas vezes, das vossas próprias ações.(…) Só os grandes acontecimentos, os que influenciam no destino, estão previstos.(…)”

 

Viu que legal isso? Essa resposta deixa claro que, embora os principais aspectos da vida tenham sido previstos antes do nosso renascimento (e com certeza a família está entre essas definições), são as nossas escolhas que determinam o nosso presente e também o nosso futuro. Sabe aquela história de destino? Então, o único destino que é certo e irreversível é a nossa evolução e esse progresso individual sempre será mais ou menos rápido de acordo com as nossas escolhas. Reparou que é um ciclo?

Mas, Kardec ainda foi mais longe. Repare nas três questões que vêm a seguir…

 

262 – Como pode o Espírito que, em sua origem, é simples, ignorante e sem experiência com conhecimento de causa e ser responsável por essa escolha?

“Deus lhe supre a inexperiência, traçando-lhe o caminho que deve seguir, como fazes com uma criança, desde o berço. Contudo, pouco a pouco, à medida que seu livre-arbítrio se desenvolve, Ele o deixa livre para escolher e só então é que muitas vezes o Espírito se extravia, tomando o mau caminho, por não ouvir os conselhos dos bons Espíritos. […]”

 

264 – O que guia o Espírito na escolha das provas que queira sofrer?

“Ele escolhe as [provas] que lhe possam servir de expiação [reparação], segundo a natureza de suas faltas, e o faça progredir [aprendizagem, evolução] mais depressa. […]”

266 – Não parece natural que se escolham as provas menos dolorosas?

Para vós sim, para o Espírito, não. Quando este se desprende da matéria, a ilusão acaba e outra é a sua maneira de pensar.”

 

Podemos concluir daí que o processo de planejamento reencarnatório é dirigido essencialmente pela misericórdia divina, que leva em consideração as nossas necessidades de aprendizagem e de reajuste com a lei de causa e efeito. Segundo André Luiz, no livro “Evolução em dois mundos”, todos os Espíritos que vão renascer têm a sua programação reencarnatória adequada às suas necessidades evolutivas. Os mais conscientes de suas demandas participam junto com o mentor espiritual desse processo decisório. Já os mais necessitados dependem de seus mentores espirituais para a elaboração desse projeto de nova vida.

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André Luiz comenta ainda que esse projeto parte das necessidades do espírito reencarnante e leva em consideração três aspectos:

PROJETO BIOLÓGICO: leva em consideração a biologia e a genética dos futuros pais, resultando em detalhes físicos como altura, biótipo, cor da pele, olhos, cabelo, estética. Também considera os sistemas internos: endócrino, cardíaco, muscular, esquelético, respiratório, etc. Neste projeto é levada em conta a necessidade cármica do indivíduo no corpo físico.

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PROJETO SOCIAL: a principal definição refere-se em qual família o espírito necessita reencarnar. Também considera acesso ao estudo, meio sócio-econômico-cultural, tendência profissional, papel na sociedade. Dentro do mesmo contexto, compreende ainda a programação dos prováveis cônjuge e filhos e com quem será necessário conviver nesta reencarnação.

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PROJETO ESPIRITUAL: Os projetos social e biológico levam para a meta principal, que é a evolução intelecto-moral. No projeto espiritual é programada a possibilidade vitória sobre obstáculos que há séculos estão sendo adiados. Os espíritos refletem sobre suas necessidades de crescer em conhecimento e em capacidade afetiva, em amor e caridade. Colocam como meta vencer a impaciência, a intolerância, o orgulho, o egoísmo, a inveja; reforçar antigas qualidades e adquirir novas virtudes.

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É sempre bom destacar que todo esse processo compreende um planejamento, mas que durante a encarnação o espírito pode interferir e modificar tudo que foi programado, muitas vezes até criando melhores condições para sua vida de acordo com a determinação, persistência, vontade e disciplina que manifeste.

 

O instrutor Alexandre comenta no livro “Missionários da Luz”, de André Luiz, que a reencarnação é o meio, mas a educação divina é o fim. Ou seja, a reencarnação é o instrumento divino de aperfeiçoamento individual e a forma mais poderosa de construir vínculos profundos entre os seres.

 

Aliás, falando em “Missionários da Luz”, essa obra traz uma detalhada descrição de um processo de reencarnação, desde o seu planejamento no mundo espiritual, até a ligação do espírito ao corpo de sua mãezinha. É muito legal perceber que isso tudo acontece, normalmente, em três fases que envolvem:

Fase 1: Intercessão de benfeitores espirituais em geral, e, em particular, do reencarnante; preparação psicológica dos pais, no sentido de manter-lhes ou despertar-lhes os valores afetivos-emocionais; encontros no plano espiritual do candidato à reencarnação com os futuros genitores; visita ao lar onde deverá renascer.

Fase 2: Perda de energias perispiríticas acumuladas no plano espiritual; assimilação de elementos fluídicos do plano corporal, em substituição às energias mencionadas anteriormente, que, por pertencerem ao plano espiritual, a este devem ser restituídas.

Fase 3: Operação redutiva do períspirito, que pode contar com a participação mais ou menos consciente do reencarnante; acondicionamento perispiritual ao útero materno (grau de liberdade relativo à evolução espiritual).

 

Complexo, não é mesmo? Viu como dá trabalho renascer? Então, a lição que fica disso tudo é que se estamos aqui é porque nossos mentores espirituais confiaram em nós; nossas famílias aceitaram nos receber; e nós mesmos assumimos uma série de compromissos que nos credenciaram a mais uma oportunidade. Então, não vale desperdiçar a chance como já fizemos tantas vezes em outras existências… O tempo é agora e nosso propósito nessa vida é aprender e crescer.

 

Vamos juntos nesse destino de luz?

 

Pra terminarmos em um clima bem cute cute, vamos dividir com você uma cartinha que um espírito reencarnante enviou para sua futura mãe, e que foi entregue à ela pela psicografia durante a fase de gestação do bebê. Veja como o espírito descreve o processo em que se encontra e pede que seus pais não descuidem de sua educação no futuro. Não é linda essa tal de reencarnação?!?!!?!

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Querida mãezinha,

Querido paizinho.

Quando receberem esta cartinha já deverei estar mergulhado nas ondas do esquecimento, em processo de reencarnação, para um novo recomeço. Um recomeço que aguardo, ansiosamente, com muitas esperanças para a redenção de meu espírito e, sobretudo, meu reencontro com o Senhor Jesus através de seus braços, carinhosos e o amor que habita em seus corações, sob a tutela amorosa de nossa Doutrina Consoladora.

Paizinhos amados estarei, também, amaciando as imensas saudades desde a despedida de vocês quando, então, nos comprometemos com a busca de nossa redenção, nas faixas da vida física, em nova existência.

Agora em que se inicia o meu processo de miniaturização perispiritual e se apagam, temporariamente, minhas lembranças, o faço sem receios, com profundas emoções ante a certeza do nosso reencontro para daqui a alguns meses e, depois, da nossa convivência por toda uma existência.

Aguardo, assim, amados, suas orientações na Doutrina Consoladora bem como as necessárias corrigendas para meu direcionamento na vida.

 Meus queridos, eu os amo muito e vocês me amam também. Agradeço, desde já, ao nosso amado Dr. Bezerra de Menezes que conservará esta carta até o momento adequado da entrega. Ele é um pai muito querido de tantos espíritos que, como eu, retornam a Terra sob sua chancela.

Beijos, beijos, beijos, beijos, muitos beijos.

 Até breve!

 Esperanças, mais do que esperanças, certezas.

 Com muito, muito,muito carinho e muito amor.

Eu, alma de suas almas.



Uma resposta para “Você pediu prá nascer?”

  1. Alessandro disse:

    Lindo texto!

    Muito estudo para todos nós!

    bjs

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