Reciprocidade

_“I see you!”
_ “I see You!!”

 


Traduzindo para o português, “Eu vejo você”, é o que falavam os personagens apaixonados da obra de ficção AVATAR, um para o outro.
Apesar de distantes sob diversos aspectos, pois eram de planetas diferentes e possuíam constituição física completamente diversa, os fatores de distanciamento não impediram que nascesse entre os dois um forte sentimento.
Quando os personagens afirmam que “se vêem mutuamente”, de forma muito simples, evidenciam a conexão que existe entre os dois. Existe RECIPROCIDADE entre ambos. No caso, um sentimento recíproco de amor.
Reciprocidade, do latim reciprocĭtas, é a correspondência mútua de uma pessoa ou de uma coisa com outra. Algo recíproco é o que se faz como devolução, compensação ou restituição. 5
Reciprocidade não acontece por obrigação ou condicionamento, mas por sintonia. Por razões diversas, sintonizamos com alguém, passamos a atentar para suas características e necessidades e, então, estabelecemos essa relação de intercâmbio, de retroalimentação de sentimentos.
A reciprocidade também é uma das facetas da amizade.
Amizades verdadeiras podem surgir com base em diversas coisas, como o cuidado, respeito, comunicação, … Mas o elemento fundamental para a sua longevidade está na prática natural da reciprocidade. Por ela, nosso amigo percebe o valor que damos a esse vínculo, é como se, diariamente, em pequenas doses, alimentássemos este lindo sentimento.
É fundamental que haja troca, que ocorra o “vai e vem” energético entre os seres amigos.
Você lembra do filme Monstros S/A? Os famosos Mike Wazowski e Sullivan protagonizaram essa obra cinematográfica. Esses amigos “fechavam” em todas as situações. Bastava um olhar, para que ambos entendessem o que o outro pensava e precisava. Ali sobrava reciprocidade.
Mas vamos pensar agora na nossa vida real. Quem não se emociona ao ver uma mãe amamentar seu filhinho ou filhinha? Certamente vocês já repararam que, no momento da amamentação, mãe e filho se entreolham de forma hipnótica. Essa ligação recíproca já retrata um fortíssimo elo que dá início a um processo muito saudável de conexão “mãe e filho”, que terá fundamental importância no desenvolvimento emocional e cognitivo da criança. O olhar da mãe traz segurança para o bebê e a torna mais forte e confiante para cuidar dele.
Transcrevo agora um trecho do artigo científico “Insegurança alimentar, vínculo mãe-filho e desnutrição infantil em área de alta vulnerabilidade social”, da Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, vol.10, no.2, Recife Abril/Junho 2010: 1

 

”O vínculo mãe-filho, que consiste na relação de apego desenvolvida entre a figura materna com sua criança, é um evento inato passível de interferências positivas ou negativas. Tendo um vínculo adequado com o filho, a mulher estará mais suscetível a apresentar práticas de cuidado positivas, refletindo no desenvolvimento infantil. ”

A reciprocidade é alimento espiritual para mãe e filho.
Bom, depois disso tudo, ficou muito fácil entender a importância que a reciprocidade tem na saúde das relações, sejam elas entre casais, amigos ou familiares.
É importante salientar que a reciprocidade é troca que pode ser negativa ou positiva. No livro “Respostas da Vida”, pelo espírito André Luiz, psicografia de Chico Xavier, no texto “Reciprocidade”, o mentor explicita outro aspecto do tema no capítulo 18, que passo a transcrever agora: 3

“Ação e reação consequente integram inderrogável lei da vida.
Procure ouvir a esperança e você encontrará a certeza da vitória.
Detenha-se no bem e obterá o lado melhor das pessoas e circunstâncias.
Auxilie a alguém e esse alguém se fará canal de auxílio em seu apoio.
Promova a tranquilidade alheia e a paz virá em seu encontro.
Aproveite seu tempo construindo elevação e o tempo lhe trará maravilhas.
Abençoe a vida e a vida lhe abençoará a existência.
Busque servir e o seu próprio trabalho lhe oferecerá a orientação de que você necessita.
Ame aos semelhantes e os semelhantes retribuirão a você com medidas transbordantes de afeto.
Plante isso ou aquilo e você colherá dos recursos que semeou; alguém poderá dizer que isso é óbvio; entretanto, ligados no bem de todos, transfiramo-nos da palavra à vivência e decerto que surpresas iluminadas de alegrias virão fatalmente a você se você experimentar. ”

 

Por esse maravilhoso texto, André Luiz evidencia a possibilidade de estabelecermos uma relação de reciprocidade muito mais ampla, uma “reciprocidade com a vida” espiritualmente falando. Neste âmbito mais grandioso, podemos enxergar a reciprocidade como tendo relação com a Lei de Causa e Efeito. Precisamos refletir incessantemente sobre que qualidade de reciprocidade estamos estabelecendo com a vida e com o Universo.

 

Emmanuel, nosso orientador tão querido, trouxe, pelo texto “Reciprocidade”, do livro “Caminhos”, psicografia de Chico Xavier, uma visão muito interessante e extremamente pedagógica sobre o tema: 4

 

“O discípulo abeirou-se do orientador e queixou-se magoado:
— Instrutor amigo, o pior de tudo em meu aprendizado é adquirir a ciência do relacionamento. Creio estar lutando inutilmente contra a animosidade alheia… Auxilie-me, por favor.
De que modo agir para viver com a intolerância e com o azedume dos outros?
O mentor refletiu, por alguns momentos, e esclareceu:
-Sim a indagação é justa. Mas para que tenhamos uma resposta clara, é importante considerar que os outros, igualmente, precisam viver contigo. ”
Percebam que, de forma concisa, o mentor alerta para o fato de que, não raro, nos preocupamos com o que recebemos de um outro irmão, mas esquecemos de avaliar o que estamos oferecendo para esse mesmo irmão.
Mas vamos refletir mais um pouco. Já pararam para pensar por que nós humanos precisamos tanto dessa troca de sentimentos e energias estabelecida com a prática da reciprocidade? Por que nós ainda temos dificuldade para amar incondicionalmente, independente do fato de “receber de volta”, assim como Jesus exemplificou no período em que passou na Terra? Nós somos espíritos em processo evolutivo, em franco desenvolvimento dos bons sentimentos. Para esse desenvolvimento, nós passamos por uma espécie de “treinamento”. É claro que o chamado Amor Ágape, aquele praticado pelo Mestre Jesus, com muita facilidade, proporciona a prática da reciprocidade. A diferença é que, para Jesus, nunca foi condição essencial, absolutamente, receber para amar; ao contrário, ele amava e amava, sempre, incondicionalmente. Nós, humanos ainda em construção moral, precisamos muito dessa troca, isso é natural. Mas amigos queridos, prossigamos na luta de autotransformação. Um dia conseguiremos amar pelo amor, como nos esclarece o médium Divaldo Franco, no vídeo 2 que segue. Muita paz!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
1. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-38292010000200007
2. https://www.youtube.com/watch?v=H7_WA481IXM – vídeo
3. XAVIER, Francisco Cândido. Respostas da Vida. Pelo Espírito André Luiz. IDEAL. Capítulo 18.
4. XAVIER, Francisco Cândido. Caminhos. Pelo Espírito Emmanuel. CEU.
5. http://conceito.de/reciprocidade#ixzz4Yh8zxMZt



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