Qual é a sua facção?

 

“Amigo, a que vieste?” (Mt. 26:50)

 

Já diria Milton Nascimento que “amigo é coisa para se guardar debaixo de sete chaves”… Quando falamos de amigos, falamos de pessoas que fazem parte da nossa vida, pessoas que cruzaram o nosso destino, junto com as quais caminhamos por vários lugares, escrevemos varias historias, compartilhamos momentos bons e ruins, às quais consolamos e pelas quais fomos consolados, pessoas com quem choramos, sorrimos e dividimos um bocado de coisas.

Amizade é o nosso tema, sim, mas, antes, quero fazer uma pergunta:

 

– Já assistiu “Divergente”? Não? – Ligue-se no trailler:

 

 

O filme é baseado no primeiro livro de uma trilogia escrita por Veronica Roth. A história gira em torno de Beatrice Prior, uma garota que vive em uma Chicago do futuro, em que a sociedade é dividida em cinco facções: Abnegação, Amizade, Audácia, Franqueza e Erudição.

 

 

A família dela faz parte da Abnegação, mas ela sempre percebeu que era diferente de todos. As facções recebem seus similares, aqueles que escolhem por afinidade estarem lá, e, assim, agrupam-se como família.

 

Quando os adolescentes completam 16 anos, passam por um teste, para verificarem suas habilidades e então decidirem para qual grupo irão. Tudo muda, quando Beatrice (Tris) acaba descobrindo que tem aptidão para três delas (Abnegação, Audácia e Erudição), o que faz da garota uma Divergente – um segredo que ela precisa guardar, pois, se alguém descobrir, ela pode ser morta, pois isso vai contra o sistema das divisões.

 

Ao descobrir isso, ela decide se unir à facção dos Audaciosos, contrariando sua família. Junto com os novos recrutas, ela passa por muitos perigos durante um forte treinamento de combate, para conseguir sobreviver. Ao longo da história, ela acaba descobrindo vários segredos que vão deixando sua vida ainda mais conturbada.

 

Tris é uma Divergente, e será que ser Divergente é ruim? Afinal de contas, porque preciso escolher um grupo? E se eu me encaixar em todos eles? Estou errada?

 

Se você tivesse um pouco de tudo? E se desenvolvesse uma parte de todos? Assim como no filme, são as similaridades que me unem aos meus amigos, ou somente o afeto e companheirismo?

Todos nós temos, de formas diferentes, um pouco de audácia, abnegação, erudição, franqueza e amizade. Assim como inúmeros outros predicados. E por que nos unimos? Por que fazemos amigos?

 

Como dissemos no primeiro texto desta nova série, muitas pesquisas associam diretamente os sentimentos de família, amizade e felicidade, e ainda caracterizam como mais felizes aquelas famílias, cujos membros se percebem vivenciando relações que vão além da consanguinidade pura e simples. Para esses estudiosos, tanto maior será a condição de reconhecer-se como amigos, quanto mais as pessoas procurarem desenvolver na família dimensões como: similaridade, apoio, afeto, companheirismo, cuidado e outros.

 

Hoje vamos falar da Similaridade. Sabe o que é? O que uniu essas facções, que acabamos de contar, e o que une muitas pessoas pelo mundo, fazendo que surja, talvez, uma amizade verdadeira.

 

Os dicionários nos dizem o seguinte:

SIMILARIDADE:

Qualidade de igual, idêntico, parecido; qualidade do que é similar.

 

Similar é aquilo ou aquele(a) que tem semelhança ou analogia com algo. Esse adjetivo deriva do termo “símil”, que evoca o semelhante e que permite estabelecer comparações entre duas coisas. Que se assemelha a outro, ou outros, de um modo geral, ou tem com eles características comuns; que tem a mesma natureza.

 

Características comuns, gosto parecido, são precedentes que nos unem e fazem com que estreitemos os laços com ‘desconhecidos’ ou com nossos familiares, fazendo com que a amizade possa surgir. Essa convivência é importantíssima para a nossa evolução. Na verdade, essencial.

 

A Doutrina Espírita nos mostra que a vida social é uma lei da natureza de que o homem não pode se esquivar, sem prejudicar-se, pois é por meio do relacionamento entre os seus semelhantes que ele desenvolve as suas potencialidades. Deus nos deu a fala e outras faculdades necessárias, para que, por meio da vida em sociedade, pudéssemos evoluir. A sociabilidade é instintiva e obedece a um imperativo categórico da lei do progresso que rege a humanidade.

 

Para atingirmos a perfeição a que estamos destinados, todos precisamos uns dos outros, pois não há como desenvolver e burilar (aperfeiçoar, apurar) nossas faculdades intelectuais e morais, senão no convívio social, nessa permuta constante de afeições, conhecimentos e experiências, sem a qual a sorte do nosso espírito seria o embrutecimento.

 

Kardec, comentado a questão 768 de “O Livro dos Espíritos, ensina que: “Homem nenhum possui faculdades completas. Mediante a união social é que elas umas às outras se completam, para lhe assegurarem o bem-estar e o progresso. Por isso é que, precisando uns dos outros, os homens foram feitos para viver em sociedade e não insulados”.

 

E complementa Joanna de Ângelis, no livro Leis Morais da vida, psicografado por Divaldo Pereira Franco, no capítulo intitulado “Intercâmbio social”, que: “O homem, inquestionavelmente, é um ser gregário (adj. relativo a grei; que faz parte de uma grei ou rebanho; que vive em bando), organizado pela emoção para a vida em sociedade.”

 

“… A vivência cristã se caracteriza pelo clima de convivência social em regime de fraternidade, no qual todos se ajudam e se socorrem, dirimindo, resolvendo dificuldades e consertando problemas…”

 

“… Viver o Cristo é também conviver com o próximo, aceitando-o conforme suas imperfeições, sem constituir-lhe fiscal ou pretender corrigi-lo, antes acompanhando-o com bondade, inspirando-o ao despertamento e à mudança de conduta.”

 

A vivência social pressupõe respeito a determinadas normas de conduta, para se tornar mais harmoniosa e pacífica. Para isso, é imprescindível a aquisição de virtudes relacionadas a si mesmo como amor ao trabalho, responsabilidade, equilíbrio e virtudes em relação à comunidade como gentileza, generosidade, tolerância e respeito.

 

Joanna tem uma mensagem belíssima sobre a amizade e o bem que ela nos faz. E nos lembra ainda de um verdadeiro amigo, do qual sentimos saudade e ao mesmo tempo, sentimos a presença constante.

 

“A amizade é o sentimento que imanta as almas umas às outras, gerando alegria e bem-estar. A amizade é suave expressão do ser humano que necessita intercambiar as forças da emoção sob os estímulos do entendimento fraternal.

Inspiradora de coragem e de abnegação, a amizade enfloresce as almas, abençoando-as com resistências para as lutas. A amizade apazigua e alegra os indivíduos. Na área dos amores de profundidade, a presença da amizade é fundamental. Ela nasce de uma expressão de simpatia e firma-se com as raízes do afeto seguro fincadas nas terras da alma.

Quando outras emoções se estiolam no vaivém dos choques, a amizade perdura, companheira devotada dos homens que se estimam. Se a amizade fugisse da Terra, a vida espiritual dos seres se esfacelaria. Ela é meiga e paciente, vigilante e ativa. Discreta, apaga-se, para que brilhe aquele a quem se afeiçoa. Sustenta na fraqueza e liberta nos momentos de dor.

A amizade é fácil de ser vitalizada.

Quando os impulsos sexuais do amor, nos nubentes, passam, a amizade fica.

Quando a desilusão apaga o fogo dos desejos nos grandes romances, se existe amizade, não se rompem os liames da união.

A amizade de Jesus pelos discípulos e pelas multidões dá-nos, até hoje, a dimensão do que é o amor na sua essência mais pura, demonstrando que ela é o passo inicial para essa conquista superior que é meta de todas as vidas e mandamento maior da Lei Divina”.

(Joanna de Ângelis – Divaldo Pereira Franco)

 

 

Bibliografia:

O Livro dos Espíritos – Allan Kardec

Leis Morais da Vida – Joanna de Ângelis – Divaldo Pereira Franco



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