O Casamento na Terra de Moisés, Davi, Abraão, Salomão…

Nos dias atuais, é muito comum que o indivíduo, na busca da sua independência, tenha, como plano futuro, sair de casa para morar sozinho, ou construir a sua própria família.

Esse pensamento é muito forte em nossa cultura e tradição ocidentais.

A independência que se quer não é apenas a financeira, significando, também, uma certa ruptura em relação ao “poder” exercido pelos ascendentes em nossa vida, de modo que, ao sair de casa, passaria o filho a viver de acordo com as próprias regras, com os próprios interesses e decisões.

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No mundo oriental antigo, no entanto, esse tipo de plano era praticamente impensável.

A ideia que se fazia da instituição familiar, até pelas necessidades de sobrevivência da época, é a de que aquele núcleo seria essencial para a vida, tanto em termos econômicos, como em termos culturais, espirituais, emocionais, protetivos, de forma que a vida em isolamento poderia significar grande risco, inclusive de fome.

Assim, o normal era que os integrantes de uma família habitassem uma mesma propriedade, a fim de que houvesse mão de obra para o trabalho, especialmente em tarefas ligadas à agricultura destinada à subsistência do grupo ou pequenos comércios, bem como para a proteção do local, já que era muito comum a disputa por terras.

O cotidiano de uma família, no antigo oriente médio, é como se todo dia fosse almoço de domingo. Era uma Grande Família!

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A família do oriente médio antigo era patriarcal, o que significa dizer que o homem é quem exercia o papel de liderança em detrimento da mulher, que, por sua vez, ficava mais ligada aos afazeres domésticos e às tarefas de criação dos filhos.

No âmbito dos direitos e da importância social, o homem detinha maior status que a mulher, que, em geral, era tratada como objeto, ou mesmo propriedade do homem, sendo submetida a muitos tipos de opressão.

 

Poligamia

As relações matrimoniais, naquele período antigo, eram amplamente baseadas na poligamia.

De forma simples, entende-se a poligamia como sendo o casamento com mais de uma pessoa. Estudiosos indicam, de forma mais específica, que se dá o nome de poligamia ao casamento de um homem com mais de uma mulher; e poliandria, ao casamento de uma mulher com mais de um homem.

Estes dois termos, no entanto, são pouco usados, prevalecendo o uso geral da poligamia.

Aponta-se, como uma das causas da existência da poligamia, a diferenciação numérica entre homens e mulheres nos tempos antigos, em razão do alto número de guerras, o que fazia com que a taxa de mortalidade entre os homens fosse muito superior.

Não havia, naquele tempo, limitação quanto ao número de esposas que um homem poderia ter. Os registros bíblicos, por exemplo, revelam números que vão desde duas a setecentas (isso mesmo, SETECENTAS) esposas:

Abraão teve três esposas (Gênesis 16:1, 16:3, 25:1)

Moisés teve duas esposas ((Êxodo 2:21, 18:1-6; Números 12:1)

Jacó teve quatro esposas (Gênesis 29:23, 29:28, 30:4, 30:9)

Davi teve pelo menos 18 esposas (1 Samuel 18:27, 25:39-44; 2 Samuel 3:3, 3:4-5, 5:13, 12:7-8, 12:24, 16:21-23)

Salomão teve 700 esposas (1 Reis 11:3).

poligamia

É um erro pensar que a poligamia nasceu com o Islamismo.

A poligamia existe desde os tempos primitivos (muitos séculos antes de Cristo). O Islamismo, por sua vez, nasceu apenas no século VII depois de Cristo.

Todavia, a partir do Islamismo é que o oriente médio antigo passou a ter um limitador em relação ao número de mulheres que um homem poderia desposar numa relação poligâmica, pois que o texto sagrado islâmico, contido no Alcorão, impõe que o homem tenha no máximo quatro esposas e apenas se puder garantir a mesma qualidade de vida para todas elas:

“…podereis desposar duas, três ou quatro das que vos aprouver, entre as mulheres. Mas, se temerdes não poder ser equitativos para com elas, casai, então, com uma só.” (Alcorão 4:3)

Pesquisas apontam que cada vez mais as relações poligâmicas têm perdido força no oriente médio, ainda que permitidas pela religião oficial e leis de muitos dos países daquela região.

 

Poligamia em O Livro dos Espíritos

Livro-dos-Espiritos-O--Noleto--1Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, questionou os benfeitores acerca da poligamia e da monogamia, obtendo a seguintes resposta:

701. Qual das duas, a poligamia ou a monogamia, é mais conforme à lei natural?

— A poligamia é uma lei humana, cuja abolição marca um progresso social. O casamento, segundo as vistas de Deus, deve fundar-se na afeição dos seres que se unem. Na poligamia não há verdadeira afeição: não há mais do que sensualidade.

Comentário de Kardec:  (…) A poligamia deve ser considerada como um uso ou uma legislação particular apropriada a certos costumes e que o aperfeiçoamento social fará desaparecer pouco a pouco.

Não cabe a nós, evidentemente, julgar qualquer um dos que, por convicção cultural ou religiosa, mantenha relações poligâmicas, até porque não conseguimos sondar, profundamente, que sentimento repousa no coração de quem quer que seja.

 

No entanto, devemos compreender, à luz do Espiritismo, que a poligamia tende a se tornar cada vez menos presente em nossa sociedade, a partir do aperfeiçoamento espiritual.

Se quiser conferir mais sobre o assunto, sugerimos o vídeo produzido pela galera do YEAH! sobre essa questão. Vamos conferir?

Links para pesquisa e leitura adicional:

https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/Caminhando/article/viewFile/2253/2187

http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:XXuy26DmWOMJ:periodicos.est.edu.br/index.php/estudos_teologicos/article/download/609/563+&cd=9&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br



3 respostas para “O Casamento na Terra de Moisés, Davi, Abraão, Salomão…”

  1. Natasha disse:

    Apesar do patriarcado da época de Moisés é interessante ressaltar que dentro do povo Hebreu as mulheres eram mais respeitadas que em outros povos patriarcais que viveram na época. Mas pessoas são pessoas… Na Bíblia, no livro de Números vemos o caso de 3 irmãs que exigiram o direito a herança de suas terras e conseguiram, ou seja, mulheres poderiam ser proprietárias, e o último capítulo de Provérbios relata as qualidades da boa esposa o que inclui avaliar e comprar um terra, plantar uma vinha, vestir seus filhos e marido e vender cintos e utensílios artesanais nos mercados. Mostrando uma determinada autonomia que séculos depois, quando Jesus veio, havia sido perdida pelo acréscimo de várias leis e rituais verdadeiramente opressores para as mulheres. Uma delas é o caso do apedrejamento em caso de adultério. Nas leia mosaicas tanto o homem quanto a mulher sofrem a punição, nenhum dos dois tinha vantagem, mas na passagem em que Jesus socorreu a jovem adúltera, apenas ela estava sendo julgada pelo povo.

    • Gera'ê disse:

      Olá Natasha, muito obrigado pela contribuição, que é certíssima e muito pertinente.

      Em um dos textos indicados para aprofundamento (https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/Caminhando/article/viewFile/2253/2187), o pesquisador Noerberto da Cunha Garin faz um registro que corrobora o seu comentário, no sentido de que “muitos estudos realizados sobre a vida social do israelita primitivo, 1800-1030 a.C. dão-nos conta que há fortes indícios da presença do matriarcado na sociedade de Israel”. Todavia, nada obstante esta verificação, finaliza dizendo que, em regra, “a mulher tinha muito pouca consideração no contexto da família israelita; além de propriedade do “marido”, era humilhada na maior parte de sua vida”.

      De fato, o recorte histórico do “mundo oriental antigo” é muito extenso e impossível de ser consolidado em apenas um texto, de forma que nenhuma tentativa de generalização será possível, já que envolve diferentes povos. Assim, embora o tratamento dispensado à mulher, fosse, em regra, diferente daquele dispensado ao homem, é importante que se registre, como você disse, o fato de que a mulher, no seio do povo Hebreu, especialmente o primitivo, detinha influência elevada em alguns aspectos sociais, familiares e espirituais.

      Novamente, muito obrigado pelo seu comentário.

  2. Muitoooo Bomm o artigo, aprendi MUITO, e concerteza vou começar a seguir o site de vocês. Parabens !!!

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