Família: uma construção social

Quando pensamos em família, logo vem à nossa mente a família na qual estamos inseridos, as famílias dos nossos amigos.

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A palavra FAMÍLIA deve te fazer pensar em várias coisas, não é mesmo? As diferentes configurações, valores, os jeitos de ser família em diferentes lugares do planeta. Ficamos aqui imaginando que você poderá pensar na sua família e na forma como você deseja e quer ser família.

 

Agora, se entrarmos numa máquina do tempo e voltarmos alguns séculos no passado, constataremos que muita coisa mudou, mas também  que muitas outras, que nos parecem tão atuais, têm sua origem no passado. Vamos considerar as transformações ocorridas na Europa, pois somos muito influenciados pelos acontecimentos do Velho Continente.

 

Imagine uma família no final do século XVII: as casas eram como grandes galpões, onde tudo acontecia “junto e misturado”. Alimentação, trabalho e descanso faziam parte do mesmo local.

 

As crianças não eram percebidas como as vemos hoje. No período anterior ao Renascimento, a Idade Média, não havia apego nenhum às crianças. O enorme índice de mortalidade infantil foi um dos fatores que influenciou esse sentimento.

 

Uma demonstração disso são as obras de arte. As crianças só apareciam nas pinturas, na representação do menino Jesus, mas um Jesus com traços de adulto, como na obra “Madonna e o Menino”, de Duccio, pintor italiano do período gótico (c.1255-c.1319).

Duccio-1255-1319-arte gótica-madonna-and-child

Disponível em <http://deniseludwig.blogspot.com.br/2013/01/arte-em-pinturas-de-maria-e-o-menino.html>acesso em 22/06/2016

Uma das grandes características no Renascimento foi a mudança do olhar para a infância. Podemos dizer que  a ideia de criança que temos hoje nasceu no Renascimento.

Na obra “A Virgem Maria Amamentando”, de Jan Van Eick, Jesus menino já é retratado com as feições de bebê.

jan van eyck - madonna amamentando

 

Disponível em <http://abuscapelasabedoria.blogspot.com.br/2013/03/a-crianca-nasceu-com-o-renascimento.html>acesso em 22/06/2016

Algumas famílias tendem a guardar o retrato dos seus filhos já falecidos e famílias mais abastadas começam a encomendar retratos de suas crianças, como na obra “Retrato de uma Família”, do pintor italiano Joseph Marcellin Combette.

XIR187128 Portrait of a Family, 1800-01 (oil on canvas) by Combette, Joseph Marcellin (1770-1840); 58x74 cm; Musee des Beaux-Arts, Tours, France; Giraudon; French, out of copyright

Disponível em <http://deniseludwig.blogspot.com.br/2013/05/arte-em-pinturas-de-familias.html>acesso em 23/06/2016

A família começa a se tornar mais fechada, nuclear, e o sentimento de privacidade passa a ser expresso na organização das moradias, com a divisão das casas em cômodos, a existência de quartos de dormir. A família é fortemente influenciada pelas transformações econômicas.

 

Outra característica marcante no Renascimento são os casamentos “arranjados” pelos pais. Esse comportamento da época foi motivado pelo interesse de manutenção dos bens dentro do círculo de interesse da família. Um exemplo disso é Shakespeare, ao descrever o amor impossível entre Romeu e Julieta, pois o enlace dos dois desagradava suas famílias.

 

42132678Os Espíritos Superiores, no Livro dos Espíritos, questão 774, informam: “Há no homem alguma coisa mais, além das necessidades físicas: há a necessidade de progredir. Os laços sociais são necessários ao progresso e os da família mais apertados tornam os primeiros”. Percebemos que as transformações econômicas exercem forte influência sobre a sociedade, mas pudemos identificar laços familiares mais apertados no período conhecido como Renascimento.

 

Mudanças sociais e familiares ocorreram ao longo dos tempos, atendendo à necessidade de progredir.

 

É importante considerar os progressos que realizamos, evitando retornar a velhos costumes e condutas que nos espreitam, aguardando a nossa invigilância para reaparecerem com uma nova “vestimenta”, pois o relaxamento dos laços de família, de acordo com a questão seguinte (775), representaria “Uma recrudescência do egoísmo”.

 

 

Que pontos nós avançamos nas relações familiares e que outros ainda permanecem semelhantes aos do Renascimento?

Participe! Dê sua contribuição.

 

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos.FEB, Brasília, 84ªedição.

http://awmueller.com/psicologia/velha-nova-familia.htm

http://abuscapelasabedoria.blogspot.com.br/2013/03/a-crianca-nasceu-com-o-renascimento.html

 



Uma resposta para “Família: uma construção social”

  1. Renata Guizzardi disse:

    Muito bem vinda esta reflexão. Muitas vezes, sem perceber, retomamos velhos modelos, recaímos em velhos erros.

    Muito interessante notar que a organização da família nem sempre foi a mesma e q ela vem atendendo a diferentes necessidades sociais. A gente se pergunta: e os sentimentos? Não seriam tb resultado (consequências) dessas configurações? O próprio texto destaca a diferença na relação com a criança. Acho importante enfatizar isso pq muitas vezes não nos damos conta q os nossos sentimentos tb podem ser resultado de construções sociais.

    Precisamos, então, ativamente cultivar dentro de nós aqueles sentimentos de cunho mais alto e a valem a pena serem sentidos. É o resto? Compreender q são frutos da nossa limitação é q vão passar… Alguém discorda?

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