A Família Revolucionária Francesa –

Estamos no final do Século XVIII e a injustiça impera na Europa, em especial na França, onde a grande maioria da população fica à mercê das deliberações do primeiro e segundo Estados. Todas as ordens vinham de lá!

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O Clero junto com a nobreza, formavam o primeiro e segundo estados respectivamente, e eles representavam 5% da população. No terceiro estado, tínhamos burgueses, artesãos, médicos, comerciantes, enfim, trabalhadores de toda ordem, mas a grande maioria eram de camponeses, esses trabalhavam duro para o próprio sustento e para pagar o luxo que o Clero e a nobreza viviam. A miséria assolava a população francesa!

 

A família nessa época vivia sob a égide da Igreja Católica Romana, que era a única verdadeira religião, onde o nascimento, união e morte, não poderiam acontecer sem a benção do Clero. No nascimento o batismo, na união o casamento religioso, e na morte o enterro em terra sagrada.

 

E como seria a formação das famílias francesas nessa época? Seria igual a família do Rei Luiz XVI? A família nuclear, formada pelos pais e filhos, não era o único formato que existia. Era possível encontrar famílias mais extensas, com tios e tias, sobrinhos e primos, principalmente no campo onde eles se uniam em famílias mais amplas para passarem por períodos climáticos mais severos e superarem a escassez de alimento.

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No dia a dia da família camponesa francesa do século XVIII, a principal preocupação era com a saúde da família, e a alimentação era a principal preocupação das mães e esposas. Elas ficavam com a responsabilidade do manejo dos mantimentos: frutas, animais e cereais, e principalmente eram responsáveis pelos cuidados com as crianças.

 

E o tema sexo nessa época, como era abordado? A sexualidade só poderia ser vivida no casamento, com o objetivo de procriação e aumento do povo católico. O casamento deveria ser para toda a vida e a esposa devia obediência ao marido. Toda família francesa no século XVIII deveria ser um espelho da Sagrada Família, seguindo os preceitos da Igreja, que “representavam” os desejos de Deus. Nesse século, os papéis de gênero eram diferenciados, o homem era a figura pública e a mulher deveria ser preservada. O seu papel de reprodutora era quem definia o seu lugar na sociedade, era símbolo de fragilidade e deveria ser protegida, pois representava o centro do lar e da família. Com isso, não participava das atividades de negócios, que ficava a cargo do homem. A mulher transformava-se em mãe e dona de casa, o que a tornava completamente dependente.

 

Mas será que a mulher francesa do século XVIII era sempre frágil assim? Não sei não! Curiosamente, durante a revolução, foi um grupo de mulheres incitadas pelos revolucionários que marcharam até o palácio de Versalhes e enfrentaram a guarda nacional com o objetivo de capturar o Rei Luiz XVI e sua família. La femme est le sexe faible?”

 

O século XVIII é denominado como o século das luzes, mas, por que temos essa denominação? As ideias reformadoras construídas por grandes mentes que atuavam na Ciência e na Filosofia, trouxeram grande avanço e senso de justiça para a sociedade e as famílias da época. Os iluministas construíram a base de uma sociedade melhor, que tem a sua culminância no século seguinte, mas influenciam até hoje as sociedades contemporâneas. Essas ideias estão bem explicitadas por Emmanuel no livro “A caminho da luz” onde ele nos fala: “[…] erros da sociedade e da política, fazendo soçobrar os princípios do direito divino, em nome do qual se cometiam todas as barbaridades. Vamos encontrar nessa plêiade de reformadores os vultos veneráveis de Voltaire [1694- 1778], Montesquieu [1689-1755], Rousseau [1712- 1778], D´Alembert [1717-1783], Diderot [1713-1784], Quesnay [1694-1774]. Suas lições generosas repercutem na América do Norte, como em todo o mundo. Entre cintilações do sentimento e do gênio, foram eles os instrumentos ativos do mundo espiritual, para regeneração das coletividades terrestres. […] foi dos sacrifícios desses corações generosos que se fez a fagulha divina do pensamento e da liberdade, substância de todas as conquistas sociais de que se orgulham os povos modernos.”

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Vem então a Revolução Francesa, com o seu ideal de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, trazendo valiosos avanços na condução de uma sociedade mais organizada e justa. Isso fica bem claro no documento: “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão” quando pensa o homem acima dos interesses particulares. Entretanto, seguimos errando! No final do século XVIII, anos de terror foram impostos por aqueles que tinham assumido o poder, o que motivou o golpe de estado executado por Napoleão Bonaparte. A França volta a viver um momento de muita tensão, e as famílias sofrem com isso.

 

acaminhodaluzSegundo Emmanuel no livro: A caminho da Luz, falando dos excessos da revolução, ele nos oferece o seguinte conhecimento: A “[…] França atraía para si as mais dolorosas provações coletivas nessa torrente de desatinos. Com a influência inglesa, organiza-se a primeira coligação européia contra o nobre país [França]. […] Também no mundo espiritual reúnem-se os gênios da latinidade, sob a bênção de Jesus, implorando a sua proteção e misericórdia para a grande nação transviada. Aquela que fora a corajosa e singela filha de Domrémy [Joanna D´Arc] volta ao ambiente da antiga pátria, à frente de grandes exércitos de Espíritos consoladores, confortando as almas aflitas e aclarando novos caminhos. Numerosas caravanas de seres flagelados, fora do cárcere material, são por ela conduzidos às plagas da América, para as reencarnações regeneradoras, de paz e de liberdade.

A política de Napoleão, trouxe grandes avanços para a sociedade e as famílias francesas, podemos destacar: o Código Napoleônico que garante a liberdade individual, a igualdade perante a lei, o direito à propriedade privada e o divórcio. Mas será que todas as ações desse imperador foram boas?

Não… – pelo menos para as mulheres.

 

A situação em que foram colocadas as mulheres depois da revolução fez com que Olympe de Gouges[1] publicasse, em 1791, a sua “Declaração dos direitos da mulher e da cidadã” –  uma resposta feminina aos limites da revolução francesa que, como a inglesa e norte-americana, não garantiu às mulheres o direito ao voto, ao acesso às funções públicas e nem mesmo o direito pleno à propriedade. As revoluções em curso mais do que burguesas, eram masculinas.

 

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Imagem: Olympe de Gouges (França, Setembro de 1791)

Os Códigos Civil e Penal restabeleciam o princípio de que “a mulher deve obediência ao homem”. O marido passava a ter legalmente, entre outras coisas, o direito de exigir que os Correios entregassem a ele todas as cartas endereçadas a esposa, de dispor livremente do seu salário – muitos receberiam os salários pelas esposas. Para tudo a mulher necessitava da autorização do pai ou do marido.
Segundo o “código napoleônico” a mulher adultera poderia ser condenada de três meses até dois anos de prisão. O adultero, pelo contrário, deveria pagar apenas uma pequena multa. Um dos seus redatores justificou tal disparidade: “A infidelidade da mulher supõe mais corrupção e tem o efeito mais perigoso que aquela do marido”

 

Sendo assim, seria interessante a leitura do Livro A caminho da Luz de Emmanuel e psicografia de Chico Xavier!

 

Esse período prepara a sociedade, em especial as famílias para século seguinte: o século da razão, e é nesse período que Jesus envia para nós o consolador prometido: a Doutrina Espírita, que foi recepcionado em grande parte em reuniões mediúnicas familiares, reuniões estas amparadas pela liberdade preconizada pela revolucionaria bandeira: “Liberté, égalité, fraternité”!

Então, Gostou’aê ? Curte’aê o Ger’aê !

 

Referências:

1 – Xavier, Francisco Cândido. A caminho da luz. Pelo Espírito Emmanuel. Capítulos: 21, 22, e 23

2 – “Reflexões sobre a evolução histórica da família” de Maria de Lourdes Centa e Ingrid Elsen – Consultado em 11/07/16 : http://revistas.ufpr.br/refased/article/view/4878/3728

3 – Consultado em 11/07/16 : http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-12822007000300015

http://www.nupemarx.ufpr.br/Trabalhos/Externos/BUONICORE_Augusto_-_As_mulheres_e_a_luta_socialista.pdf

http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Documentos-anteriores-%C3%A0-cria%C3%A7%C3%A3o-da-Sociedade-das-Na%C3%A7%C3%B5es-at%C3%A9-1919/declaracao-dos-direitos-da-mulher-e-da-cidada-1791.html

[1] Este documento foi proposto à Assembléia Nacional da França, durante a Revolução Francesa (1789-1799). Marie Gouze (1748-1793), a autora, era filha de um açougueiro do Sul da França, e adotou o nome de Olympe de Gouges. Batalhadora, em 1791 ela propõe uma Declaração de Direitos da Mulher e da Cidadã para igualar-se à outra do homem, aprovada pela Assembléia Nacional. Girondina, ela se opõe abertamente a Robespierre e acaba por ser guilhotinada em 1793, condenada como contra revolucionária e denunciada como uma mulher “desnaturada”.



Uma resposta para “A Família Revolucionária Francesa –”

  1. Bruno Cabral disse:

    Informações interessantíssimas, principalmente no que se refere à luta das mulheres! Importante mostrar que essa batalha pelos direitos das mulheres é histórica, ainda mais num momento em que muitos pensam que o feminismo se resume às redes sociais.

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