Família na sociedade do antigo Egito

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“Não se turbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. Há muitas moradas na casa de meu Pai; se assim não fosse, já Eu vo-lo teria dito, pois me vou para vos preparar o lugar. Depois que me tenha ido e que vos houver preparado o lugar, voltarei e vos retirarei para mim, a fim de que onde Eu estiver, também vós aí estejais. (João, 14:1 a 3.)”

 

No capítulo III de O Evangelho Segundo o Espiritismo temos a fala do Cristo, segundo João, e a instrução dos espíritos sobre a pluralidade dos mundos habitados. A casa do Pai é o Universo. As diferentes moradas são os mundos que circulam no Espaço infinito e oferecem, aos Espíritos que neles encarnam, moradas correspondentes ao adiantamento dos mesmos Espíritos.

 

Para saber mais sobre o capítulo e a pluralidade dos mundos é só clicar neste link:

http://febnet.org.br/wp-content/themes/portalfeb-grid/obras/evangelho-guillon.pdf

 

E é do céu que começamos nossa história! Usando um aplicativo para celular você facilmente avista no céu as constelações e planetas do orbe. Muitas delas, são moradas físicas ou espirituais. Se você tiver um desses Apps, é a hora de usar. Você já deve ter ouvido falar da Constelação de Cocheiro, que também é chamada de Cabra ou Capela, não é?

Há milênios, um dos orbes de Capela atingiu um ciclo evolutivo, tipo o que acontece com a Terra nesse momento de transição. E alguns dos milhões de espíritos rebeldes que viviam lá, e não acompanhavam mais a evolução do seu povo, foram exilados para um planeta compatível com seu grau de evolução, e reencarnariam então, entre raças ignorantes e primitivas. Esse planeta era a nossa Terra.

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“Grande percentagem daqueles Espíritos rebeldes, com muitas exceções, só puderam voltar ao país da luz e da verdade depois de muitos séculos de sofrimentos expiatórios; outros, porém, infelizes e retrógrados, permanecem ainda na Terra, nos dias que correm, contrariando a regra geral, em virtude do seu elevado passivo de débitos clamorosos.” Emmanuel

Na Terra, surgiram os quatro grandes povos, as chamadas Raças Adâmicas, que guardavam vaga lembrança de sua situação pregressa. As tradições sobre o ‘paraíso perdido’ passaram de geração em geração, até serem arquivadas na Bíblia.

Eles se reuniram em quatro grandes grupos: os árias, o povo de Israel, as castas da Índia e a civilização do Egito. É desse povo reluzente que vamos falar: dos egípcios!

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Sabendo de onde vem o povo egípcio, você faz ideia de como seriam as relações familiares no Egito Antigo? Vou dar uma dica. Segundo Emmanuel, dos povos degredados na Terra, os egípcios foram os que mais se destacavam na prática do bem e no culto da verdade. Eram os que possuíam menos débitos, e guardavam no íntimo uma lembrança da pátria distante, o que os animava a trabalhar para regressar. Vamos conhecer um pouco dos costumes egípcios.

Ciência e Politeísmo simbólico

Os egípcios traziam consigo uma ciência que a evolução da época não comportava. Os conhecimentos profundos ficaram restritos ao círculos dos mais graduados sacerdotes da época, observando-se o máximo cuidado na iniciação. Os sacerdotes sabiam da existência do Deus Único, mas as massas necessitavam do politeísmo simbólico, principalmente nas festividades religiosas.

“Do ambiente reservado de ensinamentos ocultos, partiu, então, a ideia politeísta dos numerosos deuses, que seriam os senhores da Terra e do Céu, do Homem e da Natureza. Os sacerdotes conheciam essa fraqueza das almas jovens, e a necessidade de lições esotéricas e sublimadas. Dessa ideia de homenagear as forças invisíveis que controlam os fenômenos naturais, classificando-as para o espírito das massas, na categoria dos deuses, é que nasceu a mitologia da Grécia, ao perfume das árvores e ao som das flautas dos pastores, em contato permanente com a Natureza.” (Emmanuel, A Caminho da Luz)

Deuses

 

As ciências psíquicas

Segundo Emmanuel, papiros falam de suas avançadas ciências e, através deles, podem os egiptólogos modernos reconhecer que os iniciados sabiam da existência do corpo espiritual preexistente, que organiza o mundo das coisas e das formas. Seus conhecimentos, a respeito das energias solares com relação ao magnetismo humano, eram muito superiores aos da atualidade. Desses conhecimentos nasceram os processos de mumificação dos corpos, cujas fórmulas se perderam na indiferença e na inquietação dos outros povos. Seus reis estavam tocados do mais alto grau de iniciação, enfeixando nas mãos todos os poderes espirituais e todos os conhecimentos sagrados.

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Mulher no Egito

Mulheres Egito

A mulher na sociedade egípcia exerceu um papel muito importante e tinha praticamente os mesmos direitos dos homens, o que não ocorria em outras civilizações da mesma época. Elas chegaram a postos que só foram alcançados pelas mulheres novamente na sociedade atual. No antigo Egito a esposa é quem cuida de todos ao seu redor, incluindo seus filhos e os seus servos. Existem inúmeros registros de mulheres fazendo serviços domésticos, como tecelagem e preparação de cerveja e pão. As mulheres, na ausência de seus maridos, eram as chefes e tomavam conta também das tarefas deles. Elas tinham os mesmos direitos dos homens em tribunais e estavam sujeitas às mesmas condenações aplicadas a eles.

O casamento no antigo Egito era considerado importante para as mulheres. As garotas egípcias costumavam se casar após os 12 anos, enquanto os garotos tinham entre 15 e 19. Elas também podiam se divorciar. Nesse caso recorriam aos seus familiares e pediam ajuda para intervir no casamento. O divórcio era algo simples e não necessitava de muito tempo para a sua obtenção. Entre os principais motivos de divórcios estavam os maus-tratos, o adultério e a infertilidade.

 

Maternidade

Veja o vídeo da arqueóloga e especialista em antigo Egito, Márcia Jamille, que nos conta sobre a maternidade naquela época.

http://arqueologiaegipcia.com.br/2016/05/08/video-maternidade-no-egito-antigo/

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Pai egípcio

Os registros escritos nos dão uma imagem formal da educação dada de um pai para o seu filho, a exemplo dos “Livros das Instruções”, “Compendio de Instruções pelo Nobre e Real Príncipe Hordjedef” e a “Instrução de Ptahotep”, onde é apresentado o personagem do pai, que de forma ríspida passa concelhos de cunho moral e ético para o seu herdeiro, mas saindo do campo da escrita, que usualmente partia do ponto de vista idealizado pela a elite, e observando os registros arqueológicos é possível observar um mundo muito mais amplo onde o amor paternal e sua preocupação com a educação de suas filhas e filhos demonstram um teor mais humano e menos protocolar.

inherkha em Deil el medinaFoto: Pai com as suas crianças. Tumba de Inherkha. 20ª Dinastia.

Akhenaton e uma de suas filhas

Foto: Akhenaton brinca com uma de suas filhas. 18ª Dinastia.

Crianças egípcias

Tutankhamon criança representado como adultoUsualmente são representadas pondo o indicador na boca ou menor que as demais figuras. A partir dos cinco anos as crianças já começavam a ser treinadas para o trabalho, exercendo diferentes funções, dependendo do que se esperava dela, indo das mais simples até as mais complexas com a passagem dos anos.

As crianças egípcias raramente eram representadas vestidas. O normal, tanto entre as classes comuns como entre a realeza, eram que vivessem nus e descalços. Após o seu nascimento esperava-se que a criança fosse alimentada com o leite materno o máximo quanto fosse possível. A literatura indica que em alguns casos elas poderiam ser alimentadas até os três anos.

Foto: Tutankhamon quando criança representado com vestimentas de um adulto, já que era um faraó.

 

 

 


Curiosidade:
Uma carta da 18ª Dinastia conta que crianças deveriam ser tratadas de fato como crianças, ao reprimir uma família que tomou uma menina jovem como funcionária. Não era incomum também que as crianças herdassem as atividades dos pais, por exemplo, filhos de sacerdotes tendiam a assumir postos semelhantes, ou em caso de oferendas familiares que eram levadas a diante pelos filhos.

Ramsés II protegido por HórusFoto: Ramsés II representado como uma criança chupando o dedo

Namoro

Ankhesenamon e TutankhamonEra comum chamar a pessoa amada de “irmã” ou “irmão”, o que não significava necessariamente um parentesco, mas uma forma de mostrar carinho e proximidade com a pessoa querida. Outra forma de evidenciar carinho afetivo e ou proximidade sexual era com troca de beijos nos lábios, como também a “troca de hálito”, que era a ação de esfregar um nariz no outro. Como o coração era tido como o órgão responsável não só por guardar as boas e más ações, como também os sentimentos, os apaixonados em textos frequentemente pediam pelo o coração do companheiro para simbolizar uma ligação romântica intensa.

Foto: Ankhesenamon e Tutankhamon

 

 

 

 

 

O Casamento

O cuidado com a criança parecia ser uma prioridade da mãe, contudo, a gerência do lar poderia ser do homem ou da mulher. Antes da 16ª Dinastia as mulheres tinham certa liberdade e quem definia se o homem que elas tinham escolhido era o ideal era o pai e na ausência deste um tio, contudo, após este período, elas tinham voz em suas decisões, embora casamentos arranjados tenham sempre existido.

As relações sexuais eram aconselhadas para que ocorressem somente após a puberdade de ambos os jovens. Mas, quando se tratava de um futuro casal da realeza, a aliança poderia ocorrer muitos anos antes da maturação sexual do casal, visando a conveniente união entre famílias e ordens religiosas.

Era comum o matrimônio incestuoso tanto dentro da realeza, como entre as camadas mais populares, porém, como dissemos acima, não necessariamente um casal que chama um ao outro de ‘irmã (o)’ de fato tinham uma ligação sanguínea. Os egiptólogos afirmam que o termo demonstrava algo carinhoso, indicando um forte vínculo com quem se amava.

A festa de casamento geralmente era um banquete que reunia o casal com seus familiares e amigos. Um acordo social — escrito e assinado na presença de testemunhas — que definia quais eram os bens da mulher e do homem antes do casamento, em numa eventual separação era necessária a correta divisão dos bens segundo este acordo.

Sobre os filhos os textos dizem que embora uma criança com uma ligação sanguínea com a família fosse desejada, a adoção foi um ato cultural e existem registros de testamentos tanto de mulheres como de homens que deixaram seus bens para filhos adotivos.

 

Adultério e Divórcio

O adultério era condenável para homens e mulheres. Nem todas as traições terminavam em tragédias, mas há textos que revelam penas severas que iam desde o exílio a chicoteamentos, por exemplo. Um deles relata que um sacerdote traído pede auxílio ao Faraó, que por sua vez condena o amante da esposa a ser devorado por um crocodilo feito de cera (que se transforma em um animal de verdade) e a mulher a ser queimada e tuas cinzas jogadas no Nilo. Acontecimento semelhante é contado na história dos irmãos Bata e Anúbis: este último, ao descobrir que a esposa assediava o irmão, pede o assassinato da mesma e que o seu corpo seja jogado aos cães.

A não satisfação sexual era um motivo para pedir o divórcio: a esposa poderia acusar o marido de não satisfazê-la sexualmente e assim dar entrada na separação. Procurando evitar isto alguns homens acionavam médicos que cuidavam do seu problema, definido como “doença de homem”.

 

O culto da morte e a Metempsicose

Emmanuel nos conta em A Caminho da Luz que, um dos traços essenciais desse grande povo foi a preocupação insistente e constante da morte. A sua vida era apenas um esforço para bem morrer. Seus papiros e afrescos estão cheios dos consoladores mistérios do além-túmulo. O grande povo dos faraós guardava a reminiscência do seu doloroso degredo, que, na lembrança do pretérito, criou a teoria da metempsicose, acreditando que a alma de um homem podia regressar ao corpo de um irracional, por determinação punitiva dos deuses. A metempsicose era o fruto da sua amarga impressão, a respeito do exílio penoso que lhe fora infligido no ambiente terrestre. Inventou-se, desse modo, uma série de rituais e cerimônias para solenizar o regresso dos seus irmãos à pátria espiritual.

 

Livro dos Mortos

Os egípcios se preocupavam tanto com a vida após a morte que o Livro dos Mortos, era um caro e precioso guia ao o reino de Osíris – a principal divindade cultuada pelos egípcios, símbolo do renascimento da alma, de sua imortalidade -, os campos da bem-aventurança. Conhecido popularmente, é o nome dado a uma coletânea de textos e hinos religiosos do antigo Egito, escritos em sua maior parte em rolos de papiros e colocados nos túmulos junto das múmias. A principal função dos textos era ajudar o morto em sua viagem para o outro mundo, garantindo-lhe uma passagem segura na viagem para o além.

Quer saber mais sobre o Livro dos Mortos? Dá um play ai!

As Pirâmides

piramides_de_gize_todas“As pirâmides revelam os mais extraordinários conhecimentos daquele conjunto de Espíritos estudiosos das verdades da vida. A par desses conhecimentos, encontram-se ali os roteiros futuros da Humanidade terrestre. Cada medida tem a sua expressão simbólica, relativamente ao sistema cosmogônico do planeta e à sua posição no sistema solar. Ali está o meridiano ideal, que atravessa mais continentes e menos oceanos, e através do qual se pode calcular a extensão das terras habitáveis pelo homem, a distância aproximada entre o Sol e a Terra, a longitude percorrida pelo globo terrestre sobre a sua órbita no espaço de um dia, a precessão dos equinócios, bem como muitas outras conquistas científicas que somente agora vêm sendo consolidadas pela moderna astronomia”. Emmanuel

 

O povo egípcio e Capela

 635498682000384465“Uma saudade torturante do céu foi a base de todas as suas organizações religiosas. Em nenhuma civilização da Terra o culto da morte foi tão altamente desenvolvido. Em todos os corações morava a ansiedade de voltar ao orbe distante, ao qual se sentiam presos pelos mais santos afetos. Foi por esse motivo que, representando uma das mais belas e adiantadas civilizações de todos os tempos, as expressões do antigo Egito desapareceram para sempre do plano tangível do planeta. Depois de perpetuarem nas Pirâmides os seus avançados conhecimentos, todos os Espíritos daquela região africana regressaram à pátria sideral.” Emmanuel

 

Para saber mais:

Quer saber mais sobre a sociedade e os costumes egípcios? Baixo e alto egípicio? Sobre o comércio a agricultura, o Rio Nilo, o Deserto do Saara? Sobre as Pirâmides, a arte, a ciência, a egiptologia, e o fim do Império Egípcio?

https://www.youtube.com/watch?v=Q2qVGo_wTog

https://www.youtube.com/watch?v=15frabjUmqM

 

 

Fonte:

Márcia Jamille, arqueóloga especialista em antigo Egito – Site: http://arqueologiaegipcia.com.br/

EL-QHAMID; TOLEDANO, Joseph. Erotismo e sexualidade no Antigo Egito (Tradução de Suzel Santos, Carlos Nougué). Barcelona: Folio, 2007.

Frood, Elizabeth. Social Structure and Daily Life: Pharaonic. In: LLOYD, Alan, B (Ed). A Companion to Ancient Egypt. England: Blackwell Publishing, 2010.

KARDEC, ALLAN. O Evangelho Segundo o Espiritismo.

STROUHAL, Eugen. A vida no Antigo Egito (Tradução de Iara Freiberg, Francisco Manhães, Marcelo Neves). Barcelona: Folio, 2007.

XAVIER, Francisco Cândido. Pelo Espírito Emmanuel. A Caminho da Luz.



2 respostas para “Família na sociedade do antigo Egito”

  1. Maria Orletti disse:

    Excelente texto!

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