“FAMÍLIA MEDIEVAL E GAME OF THRONES”: Laços Carnais, Espirituais e Controle da Igreja

Se você já assistiu a Game of Thrones, ou coisa parecida, vai entender muito bem o que vamos dizer… Mas, antes de começar, vamos combinar algo importante: falar de família na Idade Média é falar de um monte de gente que viveu há muito… muito… muito… tempo atrás –  tipo há uns 1.500 anos!

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Se é assim, é legal a gente pensar que essas pessoas não pensavam como a gente. Aliás, pensavam, falavam e faziam coisas muito diferentes, ‘‘diferentonas” mesmo! Tanto no que sentiam em relação a si, quanto o que sentiam em relação a suas próprias famílias.

Pra você ter uma ideia –  falando somente de Europa -, essa “família medieval” foi o resultado de misturas de povos e costumes variados ao longo dos séculos V e XV. Mistura de romanos com outros povos que eles consideravam “bárbaros” (Ostrogodos, Visigodos, Burgúndios, Vândalos, Vikings, Germânicos em geral – e mais uma cacetada de bicho doido que geralmente tinha um machado enorme na mão…).

Esses “bárbaros”, além de fogo nas cidades inimigas, “tacavam o terror”, quando mostravam seus costumes por onde passavam! Por exemplo, quando, nas refeições, devoravam carnes cruas aquecidas, no lombo de seus cavalos que galopavam enlouquecidos. Ou quando passavam banha de animal por toda a cabeleira pra servir de gel fixador! (Sim… além de atrapalhar a beleza, o cabelo solto dificultava pra lutar, mutilar ou matar alguém…). E os romanos também não ficavam pra trás em barbaridades…

Então, foram justamente essas criaturas estranhas que reencarnavam, trazendo suas cores, sabores e amores de vidas passadas, que formaram a família medieval. E formaram do jeito deles! Praticando bigamia, poligamia, endogamia, incesto e concubinato – além de outras “coisinhas” muito comuns no período…

Como falamos, se você já assistiu Game of Thrones, ou coisa parecida, tá ligado no lance! Afinal, essas eram algumas práticas das famílias na Idade Média europeia, sobretudo nos primeiros cincos séculos desse período (de V ao X).

Se você entendeu de boa esses costumes, pode ser que tenha percebido que esses espíritos, nessa fase evolutiva, não pensavam a família como pensamos hoje. Lendo os documentos históricos, percebemos que a “família” estava muito ligada à ideia de laços carnais, de sangue, laços que eles mesmos deveriam decidir como apertar ou afrouxar…

Mas, se você se escandalizou com esse negócio de ser comum a bigamia, poligamia, endogamia, incesto e concubinato; se você disse: “Cruzes”, “Santo Deus”, “Virgem Maria”! Taí, você começou a entender também como a Igreja entrou nessa história. Aliás, controlando o que as pessoas deveriam pensar, sentir e fazer. E, para tanto, espalhou uma palavrinha mágica: “PECADO”! Isso mudou muita coisa…

 

MENINO, NUM FAZ ISSO QUE É PECADO!

“Menino, num faz isso que é pecado!”

Quem já não ouviu a mãe ou a avó falar assim? Isso é a coisa mais comum que existe, ouvir alguém dizer que isso ou aquilo é pecado. Aliás comumente dizemos, até de forma irônica: “tudo que é bom, engorda, é pecado, ou faz mal”. Mas cá pra nós, será que tudo que é bom é pecado mesmo?

Refletindo sobre isso, nós ficamos pensando: será que tudo que nossa avó falava que era pecado, sempre foi ensinado aos homens e as mulheres que era pecado? Em outras palavras, será que aquilo que nos é ensinado como pecado, sempre foi ensinado assim?

Vamos pensar um pouco!!!

Com o surgimento da Igreja Católica Apostólica Romana, expandiu-se a ideia de que o mundo é um vale de lágrimas e que pertence ao maligno, cabendo ao cristão renunciar aos prazeres materiais, cultivar a santidade e garantir a salvação que ocorreria, quando Cristo retornasse ao mundo. Aos poucos, as recomendações do apostolo Paulo, no combate ao sexo desenfreado, foram tendo um caráter de lei para toda a Igreja, guardando as devidas proporções entre aquilo que é instituído e aquilo que é praticado.

Com a queda do Império Romano do Ocidente, a formação dos Reinos Bárbaros e a expansão do Cristianismo sobre esses novos reinos, a Igreja Católica viu-se como “obrigada” a pôr regras morais severas para tentar frear praticas sexuais consideradas abusivas por ela e manter o padrão de família que ela reconhecia do mundo romano.

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Utilizando os exemplos bíblicos de Adão e Eva, do pecado original, da mulher associada à tentação do homem, de Sodoma e Gomorra, da virgindade de Maria e da castidade de Jesus, a Igreja Romana construiu uma teologia centrada na idéia do pecado e da pureza, donde o entendimento de que as práticas pecaminosas conduziam os homens e as mulheres ao inferno e a pureza era recompensada com o céu. Ah, nessa época, também temos a origem da idéia do Purgatório, um lugar de sofrimento temporário para quem não fosse puro, mas também não tivesse muitos pecados.

Assim, no século VI, a Igreja lança os livros de penitências, criando uma lista de pecados, em que encontramos; a homossexualidade, o adultério, a fornicação, a masturbação, a bestialidade e as ejaculações noturnas. No século XI, foi instituída uma penitência, para o uso de instrumentos semelhantes ao que hoje chamaríamos de vibradores.

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No que tange ao matrimônio, foi proibido o casamento com parentes do mesmo sangue e a poligamia. Contudo, embora o esforço da Igreja para combater esses abusos no povo, ela, por muitas vezes, entre os membros poderosos da nobreza, tornou-se conivente com o concubinato e a própria prostituição, vistas como válvula de escape para a tensão masculina.

É claro que, até aqui, referimo-nos a um lugar e a uma época especifica: a Europa, entre os séculos V e XV, mas, em outras partes do mundo, nessa mesma época, as ideias e as práticas sexuais eram regidas por outros valores. Entre os hindus e as tribos primitivas da América, por exemplo, a prática sexual era vista como uma expressão legítima, desejável e sagrada.

Para nós, espíritas, “o sexo está ligado às leis divinas do amor e da reprodução e deve ser baseado no respeito a si e aos outros”

Nessa pequena reflexão, podemos perceber que aquilo que, hoje, a sociedade julga imoral ou pecaminoso, em outros tempos ou em outros lugares (outras sociedades, outros povos), pode não ser. Somos regidos por leis humanas que mudam com o tempo e o espaço. Hoje, existem pessoas que consideram errado um homem, por exemplo, usar brinco, cabelos longos, ou salto, ou saia… Mas, na Escócia, os homens usam saia naturalmente, os reis franceses usavam salto, Jesus usava cabelo longo e os piratas do século XVII usavam brincos… Ou você nunca viu Piratas do Caribe?

Para finalizar, descobrimos que houve um tempo em que tudo que fugia do padrão, da regra comum, era visto como algo quase alienígena, “artimanha do coisa ruim”, pecado. O correto era apenas aquilo que era aceito pela sociedade e baseado na tradição, esse tipo de pensamento só contribuiu para aumentar o desrespeito e o preconceito contra as pessoas consideradas pela maioria como diferentes.

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Mas voltando à pergunta; será que tudo que é bom é pecado mesmo?

Eu acho que não!

O que você acha?

Grupo BEM – Cartas de Amor – Mover montanhas



4 respostas para ““FAMÍLIA MEDIEVAL E GAME OF THRONES”: Laços Carnais, Espirituais e Controle da Igreja”

  1. Estela Sandra disse:

    Sensacional esse post. Cada dia melhor o blog.

  2. Scheila sampaio disse:

    Adorei. Nós precisamos assistir mais isso. Parabens!

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