Família Colonial: Família no Plural

Olá pessoal! Meu nome é Flávio. Tenho 15 anos. Estou no 1º Ano do ensino médio e hoje tive uma aula no curso de História que acho que preciso rediscutir para entender melhor.

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Meu professor de história falou sobre as características da família brasileira no Período Colonial.  Cara, ele disse que o formato principal da família brasileira era o PATRIARCAL, e esse nome seria porque ela era centrada na figura do pai.

 

Caramba!!! Como nós evoluímos! Pensei… Hoje temos “milhões” de tipos de família: de pai, mãe e filhos; mãe e filhos; pai e filhos; avós e netos; comunitária; famílias de duas mães e filhos; de dois pais e filhos… Ufa! Cansei!

 

A minha família mesmo é bem diferente! Vivo com minha mãe, meu irmão, uma tia doente que é irmã do meu pai e meu bisavô Arthur. Meu pai faleceu, quando eu tinha 8 anos. Meu bisavô Arthur tem 102 anos e é pai do meu pai.

 

Quando falei sobre a aula de história na frente do meu biso (é assim que o chamo), comentando sobre o modelo patriarcal de família, centrado na figura paterna, tido por muitos anos como o modelo ideal para criar os filhos e predominante nas famílias brasileiras desde tempos remotos, meu biso achou muita graça!

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Então, eu perguntei:

– Biso, tá rindo do que?

– Oh, meu neto! Essa família é a que os portugueses trouxeram para o Brasil há muuuitos anos, mas ela tá longe de representar o que realmente foi a família brasileira no passado. O que temos nos livros é a visão de uma parcela da sociedade. Nos livros da escola, há uma predominância dos registros da visão dos descendentes europeus.

– É, biso? Por que? Como você sabe disso? Já estudou história?

– Não, meu neto, aprendi com a vida e com as histórias contadas pelos familiares que me antecederam. Vou te explicar…

 

– O seu tataravô – meu pai – chamava-se ABEDI e era escravo alforriado. Ele vivia numa fazenda, mas não chegou a conhecer os pais. A mãe dele foi vendida, e ele foi criado por outra negra da senzala que era ama de leite da sinhazinha dessa fazenda. Viu, já era um outro formato de família: mãe e filho sem consangüinidade, ligados por laços com outras origens, no caso, o amor e a necessidade de ambos.

 

Quando seu tataravô ficou rapaz, foi para uma cidadela trabalhar na plantação de café de uma pequena propriedade. Lá ele conheceu sua tataravó CATARINA. Ela era uma branca linda, filha de portugueses pobres e muito simples, que tinham uma vendinha na cidade. Eles se apaixonaram, se juntaram e me tiveram.

 

– Se juntaram, biso? Como? Naquela época!?

 

– Sim, meu bisneto! Diferente do que vocês imaginaram, não era incomum a união sem casamento na igreja. Era tudo muito difícil! Muitas áreas despovoadas. Para sobreviverem e ocuparem áreas mais distantes da cidade, os casais se juntavam, tinham filhos e nem por isso eram desconsiderados. Eles eram respeitados enquanto família, apesar da união consensual.

 

– Nossa, biso! Nunca imaginaria isso!

 

– Os seus tataravós por parte de mãe, CARLOS e MARIA, eram portugueses que vieram para o Brasil no processo de colonização, mas eles vieram em uma leva mais tardia, para ocupar um menor trecho de terra. Logo que eles chegaram, seu tataravô faleceu após ser picado por uma cobra. Sua tataravó MARIA assumiu a pequena fazenda com “mão de ferro”; tinha alguns escravos. Cuidava de todos, definia os casamentos… Enfim, era a grande matriarca! Cuidava de toda a família, da terra, dos escravos, dos familiares e definia os destinos. Ela bem que tentou casar sua bisavó AMÁLIA com um branco rico, mas não teve jeito! Ela se apaixonou pelo seu biso aqui! Rsrsrsrsrsrsrsr

 

– Biso! Por isso que o papai era clarinho de pele, apesar de você ser mulato. Minha bisavó era filha de portugueses! Meu Deus! E minha tataravó MARIA era uma matriarca! Comandava a galera! Rsrsrsrsrsrsrsrsrsr

 

– Pois é, meu bisneto! E você nasceu da união do seu pai ROBERTO, branco com sangue negro, com sua mãe LUZIA, morena clara com cabelos negros escorridos. Ah, e sua mãe é assim por causa da sua ancestralidade. Sua mãe contou que a tataravó dela, pelo que a bisavó contava, acabou o casamento com um índio de sua tribo, para casar com um português do engenho. Eles se juntaram e tiveram um filhinho, que, na época, todos chamaram de CURIBOCA.

 

– O nome dele era CURIBOCA? Aff!

 

– Não, meu bisneto! Era assim que os índios chamavam as crianças filhas de índios com brancos. Os índios eram poligâmicos. Eles não admitiam a traição feita por índias casadas, mas admitiam o término do casamento e o relacionamento sexual com índios da tribo ou colonizadores, desde que a índia não fosse casada diante da tribo.

 

– Meu Deus, biso! Deu um nó na minha cabeça! Família Patriarcal? É muito pouco para nos definir, não é, biso?

 

– Com certeza, Flávio! Nosso Brasil é MULTI! Multicolorido, multifacetado, é o país do plural e das famílias no plural!!!

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– Verdade, biso! Sabe, agora entendo muito melhor o que o meu Evangelizador da Mocidade Espírita quis dizer, quando ele comentou a obra espírita “Brasil, coração do mundo, Pátria do Evangelho”:

 

“Quando Jesus decidiu fazer das terras brasileiras o coração do mundo, Pátria do Evangelho, ele pensou em cada detalhe. E pensou especialmente no povo, pois era necessário que tivéssemos no Brasil um povo aberto, alegre, acolhedor, propenso a respeitar a diversidade. Afinal, ser celeiro do mundo, ser Pátria do Evangelho, acolher pessoas diferentes, de diferentes nacionalidades e necessidades exige muita abertura, muita liberdade, bondade e amor.”

 

01-Projeto-FamiÌ-lia-Protetora– Isso mesmo, querido bisneto. Jesus uniu esses três povos, que trouxeram com eles uma infinidade de possibilidades, de tolerância e amor. Desde sempre, o Brasil acolheu no seu seio a diversidade e, com as famílias, não foi diferente! Famílias grandes, famílias patriarcais escravocratas, famílias das matriarcas, famílias pequenas, famílias de solteiros estudantes, famílias monoparentais, casamentos fora da igreja, famílias miscigenadas, enfim… Família plural, família do mundo, família Universal.

 

Referências:

http://www.geledes.org.br/historia-da-escravidao-negra-brasil-2/#gs.4yDSRng

http://www.ipfam.org.br/2014/06/a-familia-no-brasil-colonia/

https://www.youtube.com/watch?v=eqlcHGj4f7k

http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/familia_na_colonia_um_conceito_elastico.html

BRASIL, CORAÇÃO DO MUNDO, PÁTRIA DO EVANGELHO. Ditado pelo Espírito: HUMBERTO DE CAMPOS. Psicografado por: FRANCISCO CÂNDIDO …

VEJA A PROMO QUE ESTÁ ROLANDO NO FACEBOOK DO GERA’Ê



3 respostas para “Família Colonial: Família no Plural”

  1. Bruno Cabral disse:

    Que sensacional! Todos viemos da mesma mistura! E a mistura agrada ao Pai 😉

  2. Alessandro disse:

    Muito bom! Pluralidade da família Brasileira!

  3. Renata Guizzardi disse:

    Que máximo este post em forma de diálogo!!! Amei o biso do Flávio!

    Passou um errinho: “Meu bisavô Arthur tem 102 anos e é pai do meu pai.” — não seria pai do meu avô paterno?

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