Espiritismo, Sustentabilidade, Slow Food e Vegetarianismo

Quando perguntamos a uma pessoa vegetariana os motivos para que ela tenha optado por esse estilo de vida (vegetarianismo), podemos encontrar diferentes justificativas:Alguns dirão que foi por uma motivação ambiental, afinal, os prejuízos ambientais causados pela produção de cereais para gado, pela própria existência de um pasto e por todo o processo de abate, excedem os prejuízos ambientais da queima de combustíveis fósseis, considerados por muitos a maior fonte do desequilíbrio ambiental do planeta.

 

Já outros dirão que é por uma questão de compaixão pelos animais, por considerá-los criações divinas tão dignas de respeito como os seres humanos.

 

 

 

 

 

Há inúmeros outros motivos, mas será que encontramos na doutrina espírita justificativa e embasamento para tal escolha?

 

Nas repostas às perguntas 723 e 724, de O Livro dos Espíritos, os espíritos apontam como meritória a abstenção da alimentação animal, se feita por uma intenção justa, mas que essa alimentação ainda seria necessária por uma questão de constituição física, tendo em vista a necessidade de proteínas. Devido ao contexto histórico do século XIX, tal tema careceu de mais ampla abordagem em um período em que pouco se falava sobre o assunto, mas que posteriormente veio a ser trabalhado por autores espíritas de grande expressão.

Emannuel e André Luiz, por exemplo, trouxeram contribuições ao estudo do tema, contextualizando para os dias atuais. Com uma linguagem mais enfática, encontramos trechos explícitos sobre os prejuízos da alimentação carnívora e da necessidade de que a humanidade busque alternativas para esse hábito.

 

Vejamos alguns exemplos:

 

Na resposta da pergunta 129 do livro O Consolador, o espírito Emmanuel, pela psicografia de Chico Xavier, afirma que:

 

A ingestão das vísceras dos animais é um erro de enormes consequências, do qual derivaram numerosos vícios da nutrição humana. É de lastimar semelhante situação, mesmo porque, se o estado de materialidade da criatura exige a cooperação de determinadas vitaminas, esses valores nutritivos podem ser encontrados nos produtos de origem vegetal, sem a necessidade absoluta dos matadouros e frigoríficos“.

 

Tal afirmação ilustra o panorama atual da capacidade que temos de buscar outras fontes proteicas necessárias para o bom funcionamento do nosso corpo físico. Esta ideia também é encontrada no Capítulo 4 do livro Missionários da Luz, ditado pelo espírito André Luiz – psicografia de Chico Xavier, onde encontramos:

 

(…) a nossa inteligência, tão fértil na descoberta de comodidade e conforto, teria recursos de encontrar novos elementos e meios de incentivar os suprimentos protéicos ao organismo, sem recorrer às indústrias da morte“.

Nesse mesmo capítulo, também é dito que, se esperamos a ajuda dos espíritos superiores, deveríamos amparar os nossos irmãos em escalas inferiores da evolução espiritual, pois “(…) abandonando as faixas de nosso primitivismo, devemos acordar a própria consciência para a responsabilidade coletiva. A missão do superior é a de amparar o inferior e educá-lo“.

Tais trechos encontrados na bibliografia espírita nos trazem um alerta para grandes débitos que estamos contraindo com os animais e também com o meio ambiente de uma forma geral. Essa visão corrobora o panorama atual que temos sobre o consumo de carne e seus impactos no meio ambiente.

 

Quando pensamos em economia de água, por exemplo, lembramos logo dos nossos hábitos do cotidiano, como tomar banhos longos, escovar os dentes de torneira aberta e lavar a calçada com mangueira. Apesar de esses também serem fatores importantes na economia da água que está nos reservatórios das cidades, os maiores responsáveis pelo consumo de água das fontes naturais são as indústrias e a agropecuária. Para se ter uma ideia, uma blusa de algodão precisa em média de 2700 litros de água, uma calça jeans precisa de 11000 litros de água, 100 gramas de chocolate 2400 litros e um quilo de carne de boi gasta 15500 litros (mais detalhes na figura abaixo)[1] .

 

Você pode estar pensando que a economia doméstica é a forma mais acessível para economizarmos água, mas que não podemos agir diretamente nas indústrias. Na verdade, essas informações nos convocam a agir e repensar diretamente no nosso consumo.

 

Nos tempos atuais, é indispensável lembrar que tudo o que trazemos para casa percorreu um caminho que consumiu inúmeros recursos e passou por diversas mãos. Podemos, sim, mudar esse panorama ao nos questionarmos sempre se o que vamos comprar é necessário e se as empresas, cujos produtos vamos consumir respeitam os direitos de seus trabalhadores e o meio ambiente. É por essa busca de consciência no consumo que encontramos o movimento Slow Food, que

 

luta pela defesa dos alimentos tradicionais e sustentáveis de qualidade, dos ingredientes primários, pela conservação de métodos de cultivo e processamento e pela preservação da biodiversidade tanto de espécies cultivadas como silvestres[2].

 

 

A principal defesa do movimento é que:

 

A única forma de agricultura que pode oferecer uma perspectiva de desenvolvimento, sobretudo para as regiões mais pobres do mundo, é a agricultura baseada nos conhecimentos das comunidades locais em harmonia com os ecossistemas que as rodeiam[3]

 

 

e que o membro mais ativo nesse processo é o consumidor, pois com suas escolhas ele orienta o mercado e a produção e, ao se tornar consciente dessa cadeia, ele se torna parte de um ato produtivo, torna-se assim um coprodutor.

 

Uma ideia muito boa é começar com pequenas ações rumo a um mundo sustentável! Muitas ações bacanas estão acontecendo ao nosso redor, como por exemplo:

 

“A Campanha da Segunda Sem Carne que se propõe a conscientizar as pessoas sobre os impactos que o uso de produtos de origem animal para alimentação tem sobre os animais, a sociedade, a saúde humana e ao planeta, convidando-as a tirá-los do prato pelo menos uma vez por semana e descobrir novos sabores.[4]

 

Um alerta importante!

 Bases de dados online de revistas científicas são fontes onde encontramos informação mais criteriosa sobre as consequências do consumo de carne na saúde. Recentes pesquisas demonstram que o consumo diário de carne é um dos principais fatores do surgimento de câncer na vida adulta, principalmente dos alimentos embutidos, como os hambúrgueres, as salsichas e o presunto[5].

 

Mas … é sempre bom lembrar que mudanças radicais de alimentação podem levar a deficiência de vitaminas, ferro, etc … Portanto, parar de comer carne de origem animal e substituir por muito carboidrato (macarrão, sanduiches, pizzas, …) não é a opção!

 

… e o mundo de regeneração! (?) …

 

Faz parte da nossa reforma íntima, o movimento de autoconhecimento de nossas ações e pensamentos de orgulho, maledicência, culpa e tantos outros vícios morais, devendo vir acompanhado da observação dos nossos hábitos de consumo e de suas consequências para o planeta em que vivemos.

 

Desta forma, finalizamos com a fala do espírito André Luiz, no livro Missionários da Luz, que nos convoca a trabalharmos a favor desta causa para a construção de um mundo mais justo para todas as entidades viventes deste planeta:

 

… na qualidade de filhos endividados para com Deus e a Natureza, devemos prosseguir no trabalho educativo, acordando os companheiros encarnados, mais experientes e esclarecidos, para a nova era em que os homens cultivarão o solo da Terra por amor e utilizar-se-ão dos animais, com espírito de respeito, educação e entendimento.

 

 

Não podemos nos enganar!

É chegada a hora de sermos agentes da regeneração planetária, movimento que pode começar dentro de nossas casas, no nosso prato, nas ações mais comuns do dia-a-dia.

 

 

 

Referências:

Kardec, A., O Livro dos Espíritos, FEB.

Emmanuel (psicografia de Francisco Cândido Xavier), O consolador, FEB.

André Luiz (psicografia de Francisco Cândido Xavier), Missionários da Luz, FEB.

 

Links:

http://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/indicador-aponta-gasto-de-agua-em-produtos-consumidos-no-dia-a-dia/

 

http://slowfood.com/filemanager/AboutUs/Companion13POR.pdf

 

https://nacoesunidas.org/onu-consumo-humano-de-carne-processada-e-carne-vermelha-aumentam-risco-de-cancer/

 

http://www.segundasemcarne.com.br/o-que-e-a-campanha/

 

https://www.youtube.com/watch?

 

[1]          http://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/indicador-aponta-gasto-de-agua-em-produtos-consumidos-no-dia-a-dia/

[2]          http://slowfood.com/filemanager/AboutUs/Companion13POR.pdf

[3]          http://slowfood.com/filemanager/AboutUs/Companion13POR.pdf

[4]          http://www.segundasemcarne.com.br/o-que-e-a-campanha/

[5]          https://nacoesunidas.org/onu-consumo-humano-de-carne-processada-e-carne-vermelha-aumentam-risco-de-cancer/



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