E se Jesus estivesse aqui?

Tem como a gente viver nos dias de hoje, sem se sentir num grande turbilhão de pensamentos, sentimentos, conflitos e dilemas íntimos, quando o assunto é se encaixar em um mundo com tantas questões graves que exigem posicionamento individual, tanto no aspecto material, social, quanto no que acreditamos e somos em relação à nossa espiritualidade e religiosidade?

 

Culto ao corpo, suicídio, legalização da maconha, dependência de drogas lícitas e ilícitas, legalização e descriminalização do aborto, distúrbios alimentares e de autoimagem, eutanásia, entre várias outras questões que envolvem a valorização da vida, desafiam a sociedade em todos os seus segmentos e provocam discussões de cunho ético-moral entre aqueles que professam as diversas religiões, cristãs e não cristãs.

 

Há quem diga que religião não pode entrar nessa discussão. Que questões sociais não podem sofrer a interferência de maneiras de pensar associadas à espiritualidade do ser. Afinal, vivemos em um Estado laico… Uma coisa é o que se fala nos meios religiosos, outra é o que se afirma nas rodas de discussões sociológicas e de estatísticas de saúde pública. Como equacionar todas essas divergências que vigoram na atualidade? Como equilibrar as necessidades materiais urgentes e inequívocas com a nossa essência espiritual e divina? Bom, o primeiro caminho, certamente, é não tentar fragmentar quem somos, pois somos seres únicos, que vivemos no mundo material. Negar nossa essência espiritual, nossa transcendência sobre a matéria, nosso passado reencarnatório e nossa origem divina, contudo, seria negarmos a nós mesmos. Como discutir humanização e espiritualização das instituições, sem falar de Deus, de Jesus e da releitura dos ensinamentos do Cristo pelo Espiritismo?

 

No Livro do Espíritos, na pergunta 625, Allan Kardec indaga:

“Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo?”

Os espíritos respondem com uma única palavra: Jesus. Nenhum ser que já passou pela Terra teve postura mais transformadora diante das questões mais graves da vida humana do que Jesus. Por que, então, tantos exigem que ele não seja considerado, quando se fala das mazelas sociais de hoje? Estaria Jesus ultrapassado?

 

Quando Jesus esteve na Terra, há mais de dois mil anos, ele caminhou entre gentios, publicamos, prostitutas e samaritanas, tão discriminados à época, contrariando todos os ditames sociais e dando lições práticas de como superar as desigualdades e injustiças da sociedade.

 

E se Jesus retornasse hoje à Terra? Por onde andaria ele? Muito provavelmente estaria entre os injustiçados; entre as mulheres abandonadas pela sociedade que optam pelo aborto; entre todos os atores sociais que justificam a interrupção da vida, baseando-se em estudos e estatísticas; entre os intelectuais que privilegiam a matéria, que não veem sentido no sofrimento e defendem a eutanásia; entre jovens que dependem da beleza física para serem felizes; entre homens e mulheres que só enxergam esperança de alívio na erradicação da própria vida.

 

O que Jesus falaria? Como nos orientaria diante de todos esses dilemas? Nosso Mestre e amigo traria a lume as leis divinas e imutáveis, que localizam o homem na sua realidade material, mas não se esquivam diante da sua essência espiritual e necessidades evolutivas. Certamente, nosso Mestre acalentaria junto ao peito nossas mulheres pobres e sofredoras, mas não esconderia delas sua responsabilidade sobre a vida humana e seus compromissos assumidos. Jesus carregaria no colo os viciados, desesperados e dependentes da aparência física, mas não os dispensaria da necessidade de autotransformação e autocura. Jesus falaria com amor com os doutores de hoje, mas não os isentaria da responsabilidade relacionada ao que orientam e professam.

 

Nas Leis Divinas, não há meio certo e meio errado, mas, sim, claramente, existe o que nos aproxima ou afasta da felicidade, sendo que o único capaz de avaliar atenuantes e agravantes é Deus.

 

Afinal, de forma coerente com sua perfeição moral e intimidade com Deus, Jesus traria a verdade aos homens de hoje, sem eufemizar ou “passar a mão na cabeça”. Portanto discutir dilemas sociais sem considerar as realidades espirituais é agir de forma incompleta, com risco significativo de errar.

 

E qual seria o papel da Doutrina Espírita nos dilemas sociais da atualidade? De que maneira o Espiritismo pode colaborar na transformação da sociedade? Há muito, fala-se do potencial que a Doutrina tem de transformar as iniquidades sociais, mas qual é o cerne desse potencial? É, nada mais, nada menos, do que suas informações a respeito da reencarnação, do nosso passado espiritual e da transitoriedade da matéria. Seus conhecimentos fazem cair por terra qualquer sentimento de preconceito e superioridade, derrubam decisões cuja única base sejam as verdades materiais e imediatistas, rompem com o vazio existencial de que sofrem alguns irmãos, trazendo-os à própria consciência. Mas é necessário admitir que não há mais tempo para permanecermos na esfera das ideias. Os espíritas devem, urgentemente, partir para a ação. Não como uma bandeira, de maneira partidária, mas como homens de bem, espiritualizados, que levam para TODOS os seus campos de ação as verdades do Cristo e as revelações do mundo espiritual.

 

Os espíritos espíritas, que desejam realmente aplacar o sofrimento da sociedade, devem trabalhar arduamente para diminuir as injustiças sociais, criar maneiras práticas de acolher e trabalhar junto com todo ser humano, espírita ou não, que deseje transformar a humanidade para melhor; deve pensar em maneiras de tecer a grande rede de ação em prol da regeneração, mas, é condição fundamental, não abrir mão das verdades espirituais. São as verdades espirituais que nos revelam Deus. Como abrir mão d’Ele? É necessário construir pontes, pontes de luz que nos unam na necessidade! Mas só o amor é capaz de construí-las e não há violência na Lei do Amor.

 

Lembremos que os homens já erraram infinitas vezes, quando insistiram em atuar de maneira apartada das leis Divinas, centrando ações e decisões em pensamentos individuais e/ou da coletividade humana que privilegiavam a transitoriedade da vida na Terra em detrimento da sua imortalidade e dos impositivos da evolução.

 

Para finalizar, vamos curtir a música da cantora Pink, pois somente o amor pode nos construir pontes de luz!



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