De Platão a Kardec: Conversando sobre Sexo, Drogas e Violência na Mídia | Parte 02

Queridos,

O tema do Geraê desta semana é sobre sexo, drogas e violência na mídia. Como é muuuuuita informação para refletirmos em um espaço curto, optamos por dividi-lo em três partes.

 

No post anterior a conversa girou em torno do sexo. Dessa vez vamos abordar as pesquisas que relacionam violência e mídia, entendendo ainda como o Espiritismo pode nos ajudar a desenvolver uma cultura de paz que independa das influências que recebemos.

 

Vamos recomeçar!

Alguma vez você já se sentiu assim?

TV Violenta

A violência na mídia é uma ferramenta cultural que serve para legitimar os meios violentos de poder e controle. Quando observamos as características da violência na mídia, entendemos porque as pesquisas apontam que ela se mostra como:

  • Glamurizada
  • Higienizada
  • Banalizada

 

Nenhum pesquisador afirma que a mídia é a única causa do comportamento agressivo nos jovens. Entretanto, existe uma grande concordância entre os cientistas sociais de que a longa exposição à violência na mídia pode contribuir para a agressividade nos indivíduos.

 

Em estudos longitudinais pesquisadores mediram os hábitos de assistir TV e o comportamento agressivo em três pontos diferentes no tempo: quando os participantes tinham 8, 19 e 30 anos. Entre outros resultados ficou claro que a exposição à violência na mídia durante o início da infância era preditiva de níveis mais elevados de agressão aos 19 anos. Além disso, os hábitos em relação à TV violenta foram um preditor significativo da gravidade dos atos criminosos cometidos aos 30 anos.

 

 

Em outros estudos, pesquisas realizadas pela UNESCO, ficou evidenciado que a violência na mídia pode ter um efeito cumulativo sobre a agressão ao longo do tempo. A exposição a tal conteúdo durante a infância precede a agressividade em anos posteriores e até mesmo formas graves de comportamento criminal na idade adulta. Estudos recentes demonstram que, ao contrário do que se pensava antes, o efeito é similar em meninos e meninas.

 

 

Violência é prevalente em desenhos animados. Nesse tipo de produto, 7 em cada 10 programas apresentam cenas violentas, enquanto que em programas não-infantis essa proporção é de 6/10. Uma hora típica de programa infantil apresenta um índice de 1 incidente violento a cada 4 minutos, enquanto a proporção de conteúdos não infantis é de 1/12.

 

Uma amostra formada por desenhos animados indicou presença de pelo menos um ato de agressão física em 100% deles.

 

A violência nos desenhos animados supera até os filmes para adultos. Estudos revelam que na maioria dos desenhos animados, os personagens principais morrem ou são assassinados mais vezes do que em filmes para adultos. É mole?

 

rato e gato

 

 

A mídia retrata o que a audiência quer ou a audiência quer o que a mídia retrata?

Já se concluiu que a relação entre mídia e violência é recíproca: assistir violência precocemente estimula a agressão, e comportar-se agressivamente leva a um interesse aumentado pelo conteúdo violento. Isso faz com que ambas as práticas sejam mutuamente reforçadas ao longo do tempo, formando o que os pesquisadores chamam de espiral descendente.

 

Esse processo acontece através de todos os canais de mídia, incluindo o cinema.

 

Um estudo com 50 filmes com grande bilheteria mostrou que 40% deles apresentavam pelo menos um dos personagens principais portando uma arma de fogo. Aliás, nesse estudo, a média foi de 4,5 personagens armados por filme. Filmes sobre assassinatos ou crimes em família apresentam os maiores índices de audiência da TV aberta e fechada.

 

Dá só uma olhada em alguns cartazes promocionais de filmes que fizeram muito sucesso e descubra o elemento comum entre eles:

 

 

A forma mais decisiva para influenciar crianças e jovens a comportamentos violentos é veicular conteúdos que mostram heróis ou personagens bons que se envolvem em violência justificada que não é punida e resulta em consequências mínimas. E quando celebridades tratam a violência como algo banal, divertido e corriqueiro, a tendência é que sua audiência assim também o faça.

 

Os principais tipos de representações que incentivam a aprendizagem da agressão na mídia são os seguintes:

  • Protagonista atraente e violento
  • Sempre tem uma “razão” para a violência
  • Presença de armas
  • Realismo
  • Violência recompensada explicitamente
  • Violência sem punição
  • Personagens violentos carismáticos

 

 

As pesquisas também mostram que uma mensagem pró-social dada ao final de um episódio de um programa violento não é nem de perto tão chamativa para as crianças quanto à violência perceptual que os super-heróis cometem. Lições de moral nos produtos de mídia são relativamente ineficazes quando são expressas em violência.

 

Em um experimento feito com crianças que assistiam todos os dias o desenho Power Ranger mostrou que elas manifestavam comportamento agressivo sete vezes mais do que crianças que não tinham o hábito de ver tal programa.

 

Para o The Myth of Media Violence, “A violência na mídia não vai desaparecer e provavelmente a maioria dos esforços atuais para impedi-la não terá sucesso. Assim como a exibição de material sexual excessivo e gratuito, a violência existe dentro de uma estrutura comercial complexa, apoiada em um poderoso sistema financeiro”.

 

 

Outros efeitos da violência na mídia no comportamento dos jovens

 

Dessensibilização: Filmes norte-americanos estão ficando cada vez mais gráficos e violentos porque os espectadores estão insensíveis a versões mais amenas. Também se percebe que a dessensibilização pode afetar as respostas à violência na vida real.

 

Medo: Sentimentos de apreensão, ansiedade, desconfiança e insegurança em relação ao mundo real. Os jovens tendem a desenvolver uma visão distópica da humanidade e passam a revelar a Síndrome do “mundo cruel”.

 

Isso é tão sério, que dá só uma olhada no que diz a Federal Trade Commission / EUA:

 

“A indústria cinematográfica, de gravação de músicas e jogos eletrônicos deve deixar de ter como alvo os menores de 17 anos na sua comercialização de produtos com conteúdo violento. Todas as três indústrias devem aumentar sua aproximação do consumidor, para educar os pais quanto ao significado das classificações e também alertá-los para o papel crucial que as indústrias supõe que os pais desempenham na mediação da exposição dos seus filhos a esses produtos.”

 

Também há evidencias do aumento de histórias envolvendo jovens suicidas em filmes e séries. Casos públicos de suicídio desencadeiam comportamentos imitativos. Existe ligação entre a cobertura da mídia do suicídio e o aumento posterior dele entre adolescentes (efeito contágio).

 

 

Com o Espiritismo

Mas será que vai ser sempre assim?

 

Allan Kardec pergunta aos espíritos sobre a necessidade de destruição na questão 733 de O Livro dos Espíritos: Entre os homens da Terra existirá sempre a necessidade da destruição? “Essa necessidade se enfraquece no homem, à medida que o Espírito sobrepuja a matéria. Assim é que, como podeis observar, o horror à destruição cresce com o desenvolvimento intelectual e moral.”

 

Deus, que é inteligência suprema e causa primária de todas as coisas, estabeleceu leis, chamadas de Naturais ou Divinas. Elas englobam todas as ações do homem: para consigo mesmo, para com o próximo e para com o meio ambiente.

 

Numa fase mais rudimentar, funciona o determinismo divino; com o desenvolvimento do ser, Deus faculta-lhe o livre-arbítrio, a fim de que sinta responsabilidade pelos atos praticados. Assim, o homem tem uma lei, uma diretriz, um modelo colocado por Deus na sua consciência, no sentido de nortear-lhe os seus atos.

 

Na questão 735 Allan Kardec pergunta aos espíritos sobre a destruição.

 

Que se deve pensar da destruição, quando ultrapassa os limites que as necessidades e a segurança traçam?

 

E os espíritos respondem: “Predominância da bestialidade sobre a natureza espiritual. Toda destruição que excede os limites da necessidade é uma violação da lei de Deus. Os animais só destroem para satisfação de suas necessidades; enquanto que o homem, dotado de livre-arbítrio, destrói sem necessidade. Terá que prestar contas do abuso da liberdade que lhe foi concedida, pois isso significa que cede aos maus instintos”.

 

E na questão 754 pergunta: A crueldade não derivará da carência de senso moral?

 

“Dize — da falta de desenvolvimento do senso moral; não digas da carência, porquanto o senso moral existe, como princípio, em todos os homens. É esse senso moral que dos seres cruéis fará mais tarde seres bons e humanos. Ele, pois, existe no selvagem, mas como o princípio do perfume no gérmen da flor que ainda não desabrochou.” Em estado rudimentar ou latente, todas as faculdades existem no homem. Desenvolvem-se, conforme lhes sejam mais ou menos favoráveis as circunstâncias. O desenvolvimento excessivo de umas detém ou neutraliza o das outras. A sobre excitação dos instintos materiais abafa, por assim dizer, o senso moral, como o desenvolvimento do senso moral enfraquece pouco a pouco as faculdades puramente animais.

 



2 respostas para “De Platão a Kardec: Conversando sobre Sexo, Drogas e Violência na Mídia | Parte 02”

  1. Vagner Boroto Beltrame disse:

    Que massa! No próximo domingo estudaremos a Lei de Destruição na Mocidade e a abordagem do post é bem interessante e nos será bastante útil! Obrigado e parabéns pelo trabalho!

  2. Aproveito para compartilhar material gratuito e esclarecedor sobre prevenção ao suicídio e socorro espiritual.

    http://prevencaodosuicidio.com.br/correio/gaes/

    Se você tiver precisando de ajuda ligue para 141, acesse o site http://www.cvv.org.br

    Vale também a leitura das percepções de André Trigueiro sobre a série 13 porques e as recomendações da OMS para se abordar o suicídio

    http://mundosustentavel.com.br/2017/04/09/os-13-porques/

    No campo médico e psicológico há divergência entre os profissionais sobre a influência ou não da série na ideia de retirar a própria vida.

    Entretanto, controvérsias a parte, deixo relato de pessoas que possuem histórico de depressão e tiveram piora no seu quadro após assistir a série:

    https://www.facebook.com/cvv141/?fref=ts

    Deixamos claro que não há qualquer tipo de censura ou proibição em relação à série.

    Reconhecemos que trouxe temas importantes para o debate.

    Mas fica o alerta: se você não está em momento de equilíbrio ou possui histórico de depressão ou outros transtornos pode ser uma experiência ruim.

    Viver é sempre a melhor opção.

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