De Platão a Kardec: conversando sobre sexo, drogas e violência na mídia | Parte 01

Olá gente querida! Essa semana temos um super tema para conversarmos aqui no Geraê, com a participação de Platão e Kardec. Acontece que o tema é tão extenso e complexo, que para podermos aproveitá-lo melhor vamos dividir o post em três partes.

Preparado para começarmos a primeira?

Mas… Antes de falarmos sobre sexo na mídia, que é nossa primeira abordagem, queremos te contar uma história. Na verdade, um mito. Já ouviu falar do Mito da Caverna? Acreditamos que sim, mas pra te ajudar a recordar e economizar uma busca no Google, ai vai….

O Mito da Caverna, ou Alegoria da Caverna, é um texto do filósofo grego Platão, parte do Livro VII de A República. Através de um diálogo entre as personagens Sócrates e Glauco, Platão faz uma parábola para demonstrar como a escuridão e as trevas da ignorância podem ser superadas pela busca do conhecimento, da verdade.

Pra te ajudar a visualizar a ideia do mito, trouxemos essa versão do estúdio de Maurício de Souza, de 2002, que traz uma bem humorada visão dessa história. Acompanha só:

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Viu que coisa louca? Essa historinha nos ajuda a refletir o quanto os meios de comunicação podem se tornar um instrumento de alienação de toda uma geração. Não são apenas os mais jovens que estão suscetíveis a essa grande atratividade, na verdade, esse fascínio é coletivo. Os estudiosos do tema afirmam que a televisão é uma das maiores influenciadoras de vários tipos de comportamento, inclusive os de natureza sexual. Dá só uma olhada nos dados abaixo:

 

  • A cada ano, crianças e adolescentes veem na TV aproximadamente 14.000 referências, insinuações e comportamentos sexuais, poucos dos quais (menos de 170) envolvem as suas consequências e responsabilidades.

 

  • 75% dos programas de horário nobre das principais redes têm conteúdo sexual, mas apenas 14% das situações incluem menção aos riscos e responsabilidades. Sexo ou comportamento sexual pode ocorrer com frequência de 8 a 10 vezes por hora no horário nobre da TV.

 

  • No que se refere ao cinema, 80% dos filmes exibidos posteriormente na TV aberta ou a cabo possuem conteúdo de natureza sexual.

 

  • Uma palavra de vulgaridade é pronunciada a cada 8 minutos na TV.

 

  • ¼ de todas as interações verbais nas séries assistidas por adolescentes inclui conteúdo sexual.

 

Para refletir

Muito tempo antes de os pais começarem a conversar sobre sexo com seus filhos, os meios de comunicação já respondem suas perguntas, aliás, antes até delas serem feitas.

reflexao

 

Percebemos que o conteúdo sexual na mídia apresenta grandes disparidades na qualidade dos conteúdos para mulheres e homens. Muitos adolescentes, especialmente as meninas, relatam que se baseiam nas revistas como uma fonte importante de informações sobre sexo, controle da natalidade e temas relacionados à saúde. Revistas para meninas tendem a colocar o foco no romance, emoções e sexo, enquanto revistas para meninos são mais sugestivas visualmente e tratam de temas generalistas.

 

Quer ver como essas coisas acontecem? Compare as capas e os assuntos de uma revista direcionada pela editora para as meninas (Capricho), e de outra revista direcionada pela mesma editora para os meninos (Mundo Estranho). Essa definição de gênero faz parte da política editorial da própria revista.

 

capricho mundo estranho

 

 

 

Joanna de Ângelis nos alerta, “sem dúvida, o sexo faz parte da vida física, entretanto, tem implicações profundas nos refolhos da alma, já que o ser humano é mais do que o amontoado de células que lhe constituem o corpo”. E ainda nos chama atenção para um fato importante…

 

“Outros modelos da formação da personalidade infantil, apresentados pela mídia, têm como característica a beleza física, que vem sendo utilizada como recurso de crescimento econômico e profissional, quase sempre sem escrúpulos morais ou dignidade pessoal. O pódio da fama é normalmente por eles logrado a expensas da corrupção moral que viceja em determinados arraiais dos veículos da comunicação de massa. É inevitável que o conceito de dignidade humana e pessoal, de harmonia íntima e de consciência seja totalmente desfigurado, empurrando o jovem para o campeonato da sensualidade e da sexualidade promíscua, em cujo campo pode surgir oportunidade de triunfo… triunfo da aparência, com tormentos íntimos sem conta”.

coisas boas

Talvez, em razão de ignorarem ou negarem a origem do ser, como Espírito imortal, inúmeros psicólogos, sexólogos e educadores limitam-se a preparar a criança de forma que apenas conheça o corpo, identifique suas funções, entre em contato com a sua realidade física. Segundo Joanna a proposta é saudável, inegavelmente; porém, o corpo reflete as experiências vivenciadas em outras existências corporais, que imprimiram necessidades, anseios, conflitos ou harmonias que hoje se apresentam com predominância no comportamento.

 

“O conhecimento do corpo, a fim de assumir-lhe os impulsos, propele o adolescente para a promiscuidade, a perversão, os choques que decorrem das frustrações, caso não esteja necessariamente orientado para entender o complexo mecanismo da função sexual, particularmente nas suas expressões psicológicas”.

 

E as pesquisas mostram que a mídia tem feito com que esses adolescentes se sintam cada vez mais atraídos pelo sexo descompromissado iniciando suas relações sexuais mais cedo e sem orientação. Adolescentes que são consumidores ávidos da mídia têm maior probabilidade de superestimar a quantidade de seus iguais que já são sexualmente ativos e de sentirem mais pressão para começarem a fazer sexo.

 

Nesse sentido, tais pesquisas revelam que ¾ dos adolescentes acham que a maioria de seus pares está fazendo sexo, enquanto que, na verdade, menos da metade está. E os fãs de videoclipes tendem a superestimar a prevalência de comportamentos sexuais no mundo real.

 

moral

 

Adolescentes relatam que a TV é igualmente ou mais incentivadora quanto ao sexo do que seus melhores amigos. Doses pesadas de televisão podem acentuar a concepção de adolescentes de que todo mundo está fazendo sexo – exceto eles – e podem contribuir para a constante diminuição da idade da primeira relação, tanto e homens quanto em mulheres. Apenas os menores do que 11 anos dizem não sentir a pressão da mídia para fazerem sexo.

 

Em pesquisas realizadas pela UNESCO observou-se que na ausência de educação sexual abrangente e efetiva em casa e nas escolas, a televisão e outras mídias possivelmente se transformaram hoje na principal fonte de educação sexual dos adolescentes e jovens. A maior parte das representações sexuais feitas pela TV são irrealistas, insalubres e sugestivas. O sexo aparece como um passatempo casual, uma brincadeira na cama com pouca ou nenhuma consequência.

 

Joanna ainda comenta sobre essa educação sexual. “Palavreado chulo, impróprio, exibição de aberrações, normalmente são utilizados como temas para as aulas de sexo, a desserviço da orientação salutar, mais aturdindo os adolescentes tímidos e inseguros e tornando cínicos aqueles mais audaciosos. A questão da sexualidade merece tratamento especializado, conforme o exige a própria vida”.

 

A autora espiritual não cansa de afirmar que sexo sem amor é agressão brutal na busca do prazer de efêmera duração e de resultado desastroso, por não satisfazer nem acalmar. Quanto mais seja usado em mecanismo de desesperação ou fuga, menos tranquilidade proporciona. Vejam a gravidade dessa situação:

 

“A força, não canalizada, deixada em desequilíbrio, danifica e destrói, seja ela qual for. A de natureza sexual tem conduzido a história da humanidade, e, porque, nem sempre foi orientada corretamente, os desastres bélicos que sucederam as hecatombes morais, sociais, espirituais, têm sido a colheita dos grandes conquistadores e líderes doentios, reis e ditadores ignóbeis, que dominaram os povos, arrastando-os em cativeiros hediondos, porque não conseguiram dominar-se, controlar essa energia em desvario que os alucinava. Examine-se qualquer déspota, e nele se encontrarão registros de distúrbios na área do comportamento sexual”.

 

Com o Espiritismo

Em “Os Caminhos do Amor” Dalva Souza nos alerta sobre os impulsos sexuais que surgem na adolescência cercados pelos apelos dos meios de comunicação que mostram abertamente a ‘linguagem visual, a experiência do amor erótico e do outro lado, a família e a escola, ainda contaminadas pela moral rígida’ que até pouco tempo nem dialogavam sobre o assunto.

A ausência de orientação adequada resulta em consequências desastrosas para o ser. Se de um lado a mídia banaliza a experiência sexual, a Doutrina Espírita nos esclarece acerca do tema de forma ampliada, com a visão do espírito imortal. Podemos observar neste trecho de Emmanuel…

“Que os problemas do sexo agitam atualmente vastos setores da vida humana, é incontestável. De que forma, porém, as teses do sexo são tratadas do Plano Espiritual para o Plano Terrestre?”

Assim começa o prefácio do livro “Vida e Sexo”, onde Emmanuel inicia com uma pergunta que precisamos responder intimamente e individualmente, pergunta esta, motivadora da obra que é um dos balizadores do tema sexualidade. O autor finaliza o breve prefácio de forma brilhante no alertando para questões íntimas e únicas que não podemos ignorar.

“…em torno do sexo, será justo sintetizarmos todas as digressões nas normas seguintes: Não proibição, mas educação. Não abstinência imposta, mas emprego digno, com o devido respeito aos outros e a si mesmo. Não indisciplina, mas controle. Não impulso livre, mas responsabilidade. Fora disso, é teorizar simplesmente, para depois aprender ou reaprender com a experiência. Sem isso, será enganar­nos, lutar sem proveito, sofrer e recomeçar a obra da sublimação pessoal, tantas vezes quantas se fizerem precisas, pelos mecanismos da reencarnação, porque a aplicação do sexo, ante a luz do amor e da vida, é assunto pertinente à consciência de cada um.”

minios

Profundo né?

Mas nosso está apenas começando. Vamos continuar a refletir sobre a mídia e sua relação com a violência e as drogas em nossos posts seguintes. Nos vemos lá!



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