Cativar é se responsabilizar

Neste mundão, ninguém vive sozinho, e o homem, para progredir, deve viver em sociedade.

 

Allan Kardec, ao comentar a resposta dada pelos Espíritos à pergunta 768 de O Livro dos Espíritos, diz que nenhum homem dispõe de faculdades completas. Mediante a união social eles se completam mutuamente, para assegurarem o seu bem-estar e progredirem. É por isso que, precisando uns dos outros, os homens foram feitos para viver em sociedade e não isolados”.

 

A amizade está inserida nesse contexto das relações sociais, e a intimidade, em menor ou maior grau, faz parte da amizade.

 

Antes de começarmos a falar especificamente de intimidade, queremos lhe fazer algumas perguntas:

 

  • Você conhece alguém com quem pode se abrir de forma profunda, de forma sincera e segura? Contar e compartilhar problemas, felicidades, sonhos ou desafios? Há uma pessoa que você pode realmente considerar íntima?

 

 

  • Se você respondeu sim à pergunta anterior: – Você se sente feliz por ter criado essa relação íntima com alguém?

Se você respondeu não à pergunta anterior: – Sente falta de ter alguém por perto com essa intimidade, lida bem com isso?

 

Alguns estudiosos da área apontam que a intimidade cria entre as pessoas um contexto positivo para o desenvolvimento social e emocional, pois permite, em relações saudáveis, compartilhar sentimentos que ficariam isolados numa panela de pressão, criando ocasiões em que se pode falar e principalmente ouvir.

 

Mas a intimidade se aprimora com o tempo.

 

Salvo exceções que só a reencarnação consegue explicar, dificilmente se cria intimidade nos primeiros contatos ou na primeira troca de palavras entre as pessoas. À medida que o tempo passa, as pessoas conhecem melhor as características umas das outras, preferências e personalidade dos amigos, de forma que a relação ultrapassa o encontro ocasional, para uma escolha recíproca de aperfeiçoar a relação a um nível de amizade.

 

Pesquisadores enumeram três estágios sucessivos de expectativas das amizades, indicando o aprofundamento da intimidade entre elas.

 

O primeiro estágio (“situacional”) estaria ligado ao desenvolvimento de atividades comuns, sem aprofundar questões íntimas ou revelações pessoais. As pessoas simplesmente passam tempo juntas por uma imposição da situação. Exemplo: duas pessoas passam a compartilhar horas do dia juntas, porque sentaram uma ao lado da outra na sala de aula, ou então quando são colocadas para compartilhar uma sala no ambiente de trabalho.

 

No segundo estágio (“normativo ou contratual”), há o desenvolvimento de regras de convivência e amizade. A violação das normas gera reações negativas entre os amigos, como conflitos e sentimentos de desaprovação. Neste ponto, a relação já não é mais situacional, e as pessoas esperam algo umas das outras, como por exemplo a atenção, o carinho, o afeto, a lembrança do aniversário ou o convite para o lazer.

 

No terceiro estágio (“psicológico interno”), as pessoas atingiriam o mais alto grau de autorrevelação com seus amigos, o que indicaria também a manifestação de empatia e compreensão mútua. Nesse momento, a intimidade alcança o nível profundo, permitindo que os lados da relação depositem, um no outro, alto grau de confiabilidade e lealdade, a quem se pode revelar os maiores segredos e ansiedade, criando laços que não se desfazem com a distância ou ausência física.

 

A intimidade não pode se tornar um instrumento de posse.

 

Não é porque eu sou íntimo de alguém que eu tenho o direito de me considerar o seu dono, ou a única pessoa com quem aquele outro pode se relacionar.

 

Além disso, a intimidade não pode ser desculpa para o desrespeito. Não é porque sou íntimo de alguém que tenho o direito de tratá-lo com grosseria ou arrogância, sendo essa a realidade que faz com que muitas pessoas repitam a frase: “melhor dar dinheiro que intimidade”.

 

A intimidade, quando surge e persiste com equilíbrio, é um poderoso canal de troca entre os amigos, permitindo que o sentimento circule de forma intensa e viva, objetivando, sempre, o bem-estar de todos.

 

 

 



Uma resposta para “Cativar é se responsabilizar”

  1. Gabriel disse:

    O Espiritismo sempre nos ensinando a olhar com mais compreensão para nossas relações.

    A amizade deve sempre somar ou dividir… subtração só se for de posse e intolerância.

    Belas reflexões pessoal! Parabéns pelo trabalho 🙂

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