Aquelas mulheres de Atenas…

­Atualmente, a discussão sobre as distinções e semelhanças de gênero e sobre o empoderamento feminino retomaram grande força. Debate-se, por exemplo, a necessidade de considerar a mulher e o homem como igualmente capazes, quando se trata de assumir cargos administrativos e públicos.  Além do mais, a cada dia, atividades que, anteriormente, eram consideradas masculinas vão sendo também adotadas por mulheres e vice-versa, homens também se aventuram a realizações que, até há pouco tempo, eram adotadas apenas por mulheres. Por que não?

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Opa! Eu vim aqui para ler sobre a família grega da Antiguidade, será que estou no post errado?

 

Não, querido, ocorre que essas questões de gênero são inevitáveis, quando se olha de perto a cultura e a família na Grécia Antiga. Vamos ver algumas questões interessantes:

 

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Naquele tempo, eram considerados cidadãos apenas os homens gregos livres e apenas estes tinham direitos políticos. Pra você ter uma ideia, as mulheres não tinham direitos de cidadão e, juntamente aos escravos e aos estrangeiros (metecos), formavam o restante da sociedade.

Em geral, eram reservadas às mulheres apenas as atividades domésticas e aquelas relacionadas à criação dos filhos. Uma exceção era Esparta, cidade onde as mulheres eram, em geral, grandes esportistas e exerciam algumas atividades consideradas masculinas, já que seus maridos eram grandes guerreiros e, por isso, passavam grande parte do ano afastados de casa. Em Atenas, as mulheres só saíam por ocasião dos festejos religiosos. Além disso, esperava-se que a mulher se aprontasse para ficar com boa aparência para o seu marido, porém, dos homens, não se esperava o mesmo.

 

 

A música Mulheres de Atenas, de Chico Buarque, ilustra o comportamento das atenienses e é muito linda!

Quanto à educação, a criança ficava sob os cuidados da mãe até completar 7 anos. Depois, os garotos passavam a frequentar a escola e as meninas se dedicavam aos afazeres domésticos, recebendo também noções de dança e música. Era natural que o nascimento de meninos fosse muito mais celebrado que o nascimento de meninas, pois as “vantagens” eram muito maiores.dance-greek

Os casamentos eram negociados pelo pai da noiva diretamente com o noivo e parte da negociação envolvia a quantia paga em dote a este último. A noiva não tinha qualquer participação, nem podia manifestar suas vontades sobre a escolha do noivo ou qualquer outra questão relacionada ao matrimônio. Uma curiosidade é que o divórcio era previsto e permitido, caso o marido assim quisesse. Nesse caso, o dote deveria ser retornado à família da noiva.

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Muito estranha essa sociedade, não é? Mas quanto será que podemos afirmar que as coisas mudaram? É impressionante perceber o quanto os costumes permanecem e vão sendo passados, mesmo que de modo subliminar, de pai para filho. Ainda hoje, não é incomum encontrar pessoas (de ambos os sexos) que consideram a mulher menos capaz em atividades profissionais. Essas mesmas pessoas, em geral, acreditam que seria melhor que as meninas se dedicassem a tarefas mais delicadas, que não exijam tanto do intelecto, enquanto os meninos se eduquem para vencer os maiores desafios físicos e intelectuais. Seria esta a melhor opção? O que diz o Espiritismo?

 

 

 

O Livro dos Espíritos

O Livro dos Espíritos

Em O Livro dos Espíritos, pergunta 201, Allan Kardec questiona se pode o Espírito de um homem vir a reencarnar mulher e vice-versa. A resposta não poderia ser outra: “Decerto; são os mesmos os Espíritos que animam os homens e as mulheres.” Em seguida, Kardec pergunta qual a preferência do espírito errante (aquele que está no mundo espiritual), encarnar como homem ou mulher. A resposta também é bastante coerente: “Isso pouco lhe importa. O que o guia na escolha são as provas por que haja de passar.” Kardec ainda complementa, lembrando que é importante reencarnamos, ora no corpo feminino, ora no corpo masculino, pois temos necessidade de viver as diferentes experiências.

É muito importante ressaltar que não estamos fazendo, aqui, uma crítica ferrenha à sociedade grega da antiguidade, mesmo porque consideramos que a evolução só ocorre com o tempo. Aliás, mesmo considerando o tempo atual, é difícil fazer crítica a qualquer sociedade estrangeira. Algumas questões são, digamos, “preto no branco”, quando se trata da moral (tal como “matar um outro indivíduo” ou “usar de violência contra alguém”). Outras questões já são mais difíceis de determinar, sem considerar as especificidades da cultura do país. Considere, por exemplo, que, ainda hoje, há culturas em que o casamento é arranjado pelos pais dos noivos. Podemos sempre exprimir as nossas preferências, mas quem é que pode realmente afirmar o que é certo ou errado nesse caso? Certa vez, eu disse a um amigo estrangeiro: “Esse negócio de casamento arranjado não pode dar certo…” e ele me respondeu: “E quem garante que um não arranjado dará?” Eu compreendi ali que, na verdade, tanto um casamento arranjado, como aquele em que os noivos se escolhem tem chance de dar certo, caso os envolvidos se disponham a amar-se e respeitar-se. E ambos darão errado, caso contrário. Concluímos, então, que, conforme o que disse Kardec no parágrafo acima, a estrutura familiar de cada cultura tem uma importância fundamental, para propiciar aos membros da família o ambiente ideal para a sua evolução.

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Por fim, não faríamos jus à cultura grega, se não mencionássemos que a Grécia antiga nos deixou muitos legados importantes, que orientavam e faziam parte da vida em família, como, por exemplo, os Jogos Olímpicos e a arte teatral. Foi também o berço da filosofia! Além disso, foi lá que Sócrates nos deixou o importante pensamento: “Conhece-te a ti mesmo”.  Este ensinamento importante serve de guia para a nossa caminhada nas múltiplas encarnações. Que possamos vivenciá-lo cada vez mais e que, ao conhecer mais sobre a história da família através dos tempos, reflitamos no que podemos fazer de melhor daqui para frente, tratando o outro como gostaríamos de ser tratados.

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Uma resposta para “Aquelas mulheres de Atenas…”

  1. Bruno Cabral disse:

    Muito legal a abordagem! O link com as questões de gênero dos dias atuais foi muito bem colocado. Parabéns!

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