Ama, trabalha, espera e perdoa

Quantas vezes nos sentimos incompreendidos por nossos familiares com relação às nossas posturas durante a vida e principalmente no exercício da nossa fé?

 

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Com o jovem Paulo também não se deu diferente.

Já destruído espiritualmente na estrada de Damasco e torturado pelas apreensões constantes da nova vida que decidiu seguir, foi excluído do círculo de fé judaica e seus amigos mais íntimos já não lhe queriam a presença, por o considerarem traidor dos princípios que antes abraçavam juntos.

Queriam que ele fosse preso por anunciar a sua nova crença, na qual um simples carpinteiro era o Messias prometido. A sua fé, que no passado recente era sinal de força, poder e status, agora era motivo de comédia, indiferença e perseguição.

Mesmo encontrando abrigo na Casa do Caminho, os primeiros cristãos não tinham como defender fisicamente o novo Saulo de Tarso, transformado em Paulo.

Decide ele então voltar para sua terra natal; reencontrar suas origens, buscar seus familiares e pedir apoio ao seu genitor para se equilibrar emocionalmente e materialmente. Para tanto, contou com a ajuda de Pedro, que escreveu cartas de apresentação que seriam usadas durante a viagem para contar com a ajuda dos amigos da Casa do Caminho.

Chegando, enfim, à cidade de Tarso – lugar onde Saulo, o Doutor da Lei, desenvolveu todas as suas aptidões de inteligência, retórica e força física – reconhece-se fraco, sozinho e necessitado de ajuda. Todo um turbilhão de lembranças inundou sua mente de forma ininterrupta. Ao chamar nos portões de sua casa, foi recebido pelos criados com indiferença, já que não o reconheceram.

À pedido de Paulo, logo vem o senhor Isaac, já envergado pela idade e lutando para se manter em pé escorado por um cajado típico dos anciões do seu tempo.

Reconhecendo o filho, de pronto os dois se abraçam, como se encontrassem em cada um as esperanças de que um e outro se alimentam, na expectativa do acolhimento e cura.

O pai logo percebe, em um diálogo que tortura mais ainda a alma do convertido de Damasco, que seu filho mudou e o responsabilizara pela morte, por desgosto, da sua mãe. Paulo chora diante do genitor e esse lhe lembra de toda a coragem que teve para criá-lo, de todo esforço de uma vida para colocá-lo como destacado doutor do Sinédrio em Jerusalém. Colocou abaixo da sola da sua sandália a reputação dos seus novos amigos da casa do caminho.

Senhor Isaac percebeu que a febre mental que ele achava que o filho sofrera em Damasco, ainda continuava a cegá-lo ao colocá-lo, em sua opinião, contra as leis judaicas. Como seu filho poderia abandonar as esperanças e o amor dos seus ancestrais para seguir um carpinteiro?

Paulo sentiu na alma o sofrimento moral que seu pai experimentava, ao julgar que o filho preferia um louco aventureiro que morreu entre dois ladrões, a ele próprio, que sempre foi digno e trabalhador honesto a serviço de Deus.

A gota d’água naquele diálogo torturoso para ambos, foi Paulo dar a Jesus o título de Cristo Salvador prometido. Como última tentativa de colocar o filho em contato com a sanidade mental esperada, disse Isaac:

“- … peço-te que escolhas em definitivo, entre mim e o desprezível carpinteiro!…

– Meu pai, ambos precisamos de Jesus!…

– Tua escolha está feita! Nada tens a fazer nesta casa!…”

Ao ouvir aquelas palavras, Paulo deu-se conta que nem mesmo a cegueira angustiosa de Damasco, tinha feito ele experimentar pranto tão amargo.

Aquele encontro, que tinha começado com o abraço caloroso, terminou com um adeus definitivo entre dois corações amargurados.

Sem lar e sem qualquer tipo de recurso, sobrou a Paulo como abrigo para o corpo cansado, uma das cavernas da região. Seria ali o refúgio perfeito para fugir da multidão barulhenta. Necessitava silêncio e meditação para ouvir os próprios pensamentos e o coração.

Aquela dor do momento acabou se juntando a todas as dores do seu passado: o sacrifício de Estêvão; a morte da noiva Abigail; a perseguição aos seguidores do Cristo que resultou na fuga de Prisca e Aquila para o deserto; a negação da amizade por aqueles que julgava mais íntimo; e a desconfiança dos trabalhadores da Casa do Caminho.

 

 

Tinha clareza da sua nova situação e as merecidas experiências, mas não conseguia impedir as lágrimas que nasciam d’alma e inundava a face dolorida.

Ajuntou-se entre as pedras, pedindo ao Mestre que se acolhe as preocupações e lhe oferecesse a misericórdia como remédio.

Entregue enfim ao cansaço mental, o sono e o sonho lhe abraçaram, levando-o a uma paisagem espiritual deslumbrante, onde seu coração desgastado passeava agora em brumas reconfortantes.

Ainda no deslumbramento do quadro que se pintavam à sua frente, sentiu a aproximação de passos leves. Alguém chegava de mansinho. Eram Estêvão e Abigail. Os dois, lindos e jovens, usavam vestes tão brilhantes que pareciam brisas transparentes. Em um diálogo mental inesquecível, Abigail lhe expôs os desafios que se apresentam para todos aqueles que decidem seguir Jesus.

Paulo entrou em êxtase, bebendo de fonte límpida as maravilhas dos ensinamentos do Mestre, através de sua amada noiva.

Entretanto seu espírito era tomado por uma grande interrogação: o que poderia ele fazer para ter sucesso em sua missão?

. . .

E você, jovem

Qual a sua missão aqui na Terra? Qual o seu propósito nesta reencarnação?

Algumas pistas para pensarmos, o Espiritismo nos dá!

Você é um espírito imortal, que foi criado para evoluir para sempre, então não importa onde você vai chegar e sim como você irá caminhar.

Existe leis divinas que regem tanto o mundo material quanto o mundo do espírito. Então, independente do que você acredite, o que você faz tem consequências físicas e espirituais.

Só o amor é o caminho da evolução, o resto é estacionamento pago.

Ninguém é responsável por sua evolução, mas lembre-se que temos mais almas que nos amam do que nos odeiam.

O templo que você frequenta ou a verdade que você acredita, não o salvarão, só a caridade salva. Entretanto o templo e a verdade podem ser meios para você se fortalecer para praticá-la.

Você nunca está sozinho. Através da prece você pode se conectar com seres que lhe querem bem e podem te oferecer sentimentos e pensamentos nobres.

. . .

Paulo tinha dúvida em relação à sua missão aqui na terra; e neste questionamento íntimo e profundo, ele recebeu da amorosa Abigail respostas que servem também para a nossa história. Esperamos que você esteja incomodado e aproveite as respostas refletindo-as na sua vida em família.

 

— Que fazer para adquirir a compreensão perfeita dos desígnios do Cristo?

ama

— Como fazer para que a alma alcançasse tão elevada expressão de esforço com Jesus Cristo?

 

trabalha

 

— Que providências adotar contra o desânimo destruidor?

 

espera

 

— Como conciliar as grandiosas lições do Evangelho com a indiferença dos homens?

perdoa

 

Livro Paulo e Estevão – Psicografia de Francisco Cândido Xavier – pelo espírito Emmanuel

Os próximos posts tratarão de cada resposta de Abigail. Aproveitaê.



2 respostas para “Ama, trabalha, espera e perdoa”

  1. JULIANA disse:

    A história de Paulo me emociona…tanto crescimento, tanto amadurecimento, tanta mudança em uma só existência! Papel fundamental na divulgação do cristianismo entre os gentios…e saber que ele fraquejava, desanimava e venceu a tudo nos dá forças para seguir confiantes!

  2. Gabriel disse:

    Através da história de Paulo nos fortalecemos ante os nossos próprios conflitos íntimos.

    Ótimas reflexões sobre nossas relações e as diferenças de crença.

    Parabéns ao blog pela escolha do tema!

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